O setor industrial de Minas Gerais voltou a oscilar em maio. Segundo a pesquisa mensal da Fiemg, o faturamento da indústria caiu 4,8% em comparação com abril. O principal motivo foi a queda de 6,5% na indústria de transformação. Por outro lado, a indústria extrativa cresceu 10% no período.
Para entender os números, a 98 News conversou com o analista de pesquisas econômicas da Fiemg, Arthur Augusto.
“A retração foi pontual”, afirmou Augusto “Ela reflete a redução de pedidos em carteira e o adiamento de vendas.” Apesar da queda em maio, o analista destaca que o desempenho no ano é positivo: “A indústria geral acumula alta de 2,5% no ano e 4,1% nos últimos 12 meses. Isso mostra resiliência.”
Sobre a indústria extrativa, Augusto também vê o crescimento com cautela. “Foi um crescimento pontual”, explicou. “Apesar da alta de 10% em maio, no acumulado do ano o setor ainda apresenta queda de 0,3%.”
Segundo ele, quem segura o desempenho geral da indústria é o setor de transformação:
“Ela tem mostrado mais consistência e continua sendo o principal motor da indústria mineira.”
Os dados de maio também mostram queda de 0,2% no emprego, 1,1% na massa salarial e 1,2% no rendimento real. “Essa retração é influenciada por uma base de comparação alta em abril, quando houve pagamento de lucros e resultados”, disse. “Ainda assim, no acumulado do ano, o emprego segue com trajetória positiva.”
Augusto também comentou os fatores que pesam no desempenho industrial. “O Brasil ainda está com a taxa de juros no maior nível dos últimos 19 anos, e o espaço para estímulo fiscal é muito limitado.”
“No cenário externo, há incertezas importantes, como o pacote tarifário dos EUA.”
Ele alertou especialmente para a taxação sobre aço e alumínio, que já está em vigor: “Esses produtos são estratégicos para as exportações mineiras. Essa tarifa pode tornar nosso produto mais caro nos EUA, um dos principais compradores.”
Apesar dos desafios, Augusto é cautelosamente otimista: “A gente vê sinais de resiliência na indústria mineira, mas o cenário pede atenção. Os fatores que limitam a atividade ainda estão presentes.”