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DNA mineiro: técnica inédita garante ‘sotaque próprio’ ao ‘vinho de inverno’, produzido em MG

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Técnica mineira vem gerando frutos no mercado (Mila Cristian / Epamig)

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Minas Gerais não é só feita de pão de queijo, café e prosa boa. Nos últimos anos, os vinhos finos também entraram para o cardápio de símbolos da identidade mineira. A revolução começou com uma técnica desenvolvida e validada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que permitiu às videiras florescerem em pleno inverno.

A partir de estudos mineiros, até as videiras aprenderam a falar com sotaque próprio. Na técnica da dupla poda, os parreirais são “enganados” e passam a produzir no inverno, época de clima seco e noites frias. Foi daí que surgiram os chamados vinhos de inverno, responsáveis por transformar um cenário improvável em um dos capítulos mais recentes da nossa identidade cultural.

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O salto impressiona: de 2020 para 2025, o aumento no número de vinícolas no estado subiu mais de 150% — passou de 50 para 130, segundo dados do Governo de Minas. Além de medalhas em premiações internacionais, os rótulos mineiros têm ganhado espaço em restaurantes, cartas de vinho e no imaginário de quem visita essas terras.

Na Cozinha Santo Antônio, em Belo Horizonte, a chef e historiadora Juliana Duarte faz questão de harmonizar seu menu “Mineirices” com vinhos locais. “O vinho mineiro virou parte da tradição que gosto de contar. Ele desperta curiosidade e dá orgulho de servir”, diz.

Para Dulce Ribeiro, proprietária da distribuidora Rex Bibendi, os vinhos são a tradução do espírito mineiro: diversos, autênticos e frutos de pesquisa. “Cada produtor imprime sua marca. Meu sonho é ver uma carta de vinhos representando as várias regiões de Minas”, afirma.

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O setor também aposta no turismo rural e em parcerias com outros produtos típicos, como café, queijos e azeites. “Quase 90% das vinícolas são pequenas e abertas ao enoturismo. Imagine a força de juntar vinho, culinária, história e artesanato mineiros”, projeta José Procópio Stella, presidente da Associação dos Produtores de Uva e Vinho de Minas Gerais (Uva-MG).

Até este domingo (31/8), a capital mineira também serve de rota para os apreciadores da bebida. O Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, recebe o Uai Wine – Festival de Inverno dos Vinhos Mineiros, com extensa programação que inclui capacitação técnica, degustações, gastronomia, música e experiências culturais. A entrada é gratuita.

Se depender de produtores e entidades, logo o brinde mineiro será tão emblemático quanto o café coado e a broa de fubá. Afinal, o DNA de Minas agora também vem engarrafado.

Com informações de Agência Minas

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Thiago Cândido

Jornalista pela UFMG. Repórter na 98 desde 2025. Participou de reportagens vencedoras do Prêmio CDL/BH de Jornalismo 2024 e Prêmio Mercantil de Jornalismo 2025.

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