O setor de transportes de Minas Gerais está em alerta máximo. Com reajustes do diesel que chegam a R$ 0,70 por litro nas últimas semanas, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística de Minas Gerais (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, alerta que o impacto no frete é inevitável, já que o combustível representa 45% dos custos operacionais. “Qualquer aumento relevante reflete na necessidade de repassar esse reajuste”, afirma.
Em Belo Horizonte, o diesel saltou de R$ 5,89 para R$ 6,44, enquanto a gasolina atingiu R$ 6,30. Sem anúncios oficiais da Petrobras, a suspeita de práticas abusivas levou o Procon-MG e o CADE a abrirem investigações. O setor teme que o cenário internacional e conflitos no Oriente Médio gerem novos repasses ao consumidor final.
O encarecimento do transporte afeta toda a cadeia produtiva, de alimentos a produtos industrializados, e especialistas alertam para risco de novos aumentos no custo de vida. Tudo isso em meio a um cenário internacional instável, que preocupa.
“Estamos muito preocupados com esse desenvolvimento e com o conflito no Oriente, porque, se o preço do petróleo continuar subindo, a defasagem acumulada poderá gerar novos aumentos e, consequentemente, elevar ainda mais os custos de movimentação de mercadorias. O Setcemg recomenda atenção redobrada em relação a aumentos abusivos e busca, junto ao governo, formas de controlar esses reajustes”, completa o presidente da Setcemg.
A situação já está sendo investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que avalia denúncias encaminhadas pela Secretaria Nacional do Consumidor. O Procon do Ministério Público de Minas Gerais informou que monitora o caso e recebeu cerca de 50 reclamações em poucos dias.
Ministro endurece regras do frete
Se em Minas o compasso é de atenção, em Brasília a meta é mitigar os impactos na tabela do frete. Em coletiva à imprensa nesta quarta-feira (18/03), o ministro dos transportes, Renan Filho, anunciou um endurecimento na fiscalização do frete — com a ampliação para 40 mil operações mensais, superando as 6 mil de 2025.