Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Peça um Rock
Anuncie Aqui
  • Ao vivo
  • Eleições 2026
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • 98 Segundos
  • Promo Os Players
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Eleições 2026
  • BH e região
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Economia
  • Política
  • Colunistas
  • 98 Segundos
  • Promo Os Players
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Ao vivo
  • Ao vivo
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A grandeza escondida nas pequenas conquistas

Por

Paulo Leite

Paulo Leite
  • 21/06/2026
  • 12:03

Siga no

Eloy Room, goleiro da seleção do Curaçao | FOTO: INSTAGRAM/@ELOYROOM

Eloy Room, goleiro da seleção do Curaçao | FOTO: INSTAGRAM/@ELOYROOM

Compartilhar matéria

Há um tipo de vitória que não cabe no placar. Às vezes ela vem disfarçada de empate, de silêncio, de alívio, de lágrima presa no canto do olho. Ontem, Curaçao empatou em 0 a 0 com o Equador e conquistou o primeiro ponto de sua história em Copas do Mundo. Para muitos, foi apenas um empate. Para eles, foi uma página inteira escrita com o coração. O goleiro Eloy Room fez uma atuação gigantesca, com 15 defesas, e ajudou a transformar um zero a zero em patrimônio emocional de um povo.  

E talvez seja aí que o futebol, esse velho professor de humanidade, nos ensine uma lição que a vida moderna tenta nos fazer esquecer todos os dias: pequenas conquistas também merecem festa.

Vivemos num mundo que perdeu a delicadeza da medida. Tudo precisa ser enorme. A carreira tem que ser brilhante. O filho tem que ser excepcional. A viagem tem que ser inesquecível. A casa tem que ser fotografável. O corpo tem que ser admirável. A opinião tem que ser definitiva. A alegria tem que ser postada. A vida, coitada, tem que parecer um comercial de sucesso permanente.

Nesse mundo de vitrines acesas e almas cansadas, ninguém mais quer apenas caminhar. É preciso correr. Ninguém mais quer apenas melhorar. É preciso vencer. Ninguém mais quer apenas acertar uma vez. É preciso ser o melhor sempre, em tudo, diante de todos.

E assim fomos desaprendendo a comemorar.

Desaprendemos a comemorar o dia em que a dor diminuiu. O mês em que a conta fechou. A semana em que não desistimos. A conversa difícil que finalmente aconteceu. O pequeno avanço de quem estava parado. O primeiro ponto de quem, até ontem, era tratado apenas como figurante no grande teatro dos vencedores.

Curaçao, diante do Equador, não ganhou a Copa. Não derrotou uma potência. Não levantou taça. Não fez a manchete fácil dos campeões. Mas fez algo talvez mais bonito: resistiu. Ficou de pé. Suportou a pressão. Agarrou-se ao jogo como quem se agarra à própria dignidade. E, quando o árbitro apitou o fim, aquele empate tinha gosto de vitória porque, para algumas histórias, sobreviver ao impossível já é vencer.

A dificuldade humana de celebrar pequenas conquistas nasce dessa tirania da comparação. A gente olha para o lado e sempre parece haver alguém mais longe, mais rico, mais jovem, mais bonito, mais reconhecido, mais feliz. A comparação é uma ladra elegante. Ela entra sem arrombar a porta, senta-se à mesa, bebe nosso café e vai embora levando a nossa alegria.

O sujeito consegue um emprego, mas não é o emprego dos sonhos. Compra um carro, mas não é o carro do vizinho. Emagrece dois quilos, mas ainda não virou capa de revista. Faz um bom trabalho, mas alguém fez melhor. A criança tira sete, mas o pai pergunta por que não foi dez. O time empata heroicamente, mas o comentarista já quer saber por que não venceu.

Que mundo mais sem ternura é esse em que até a alegria precisa pedir licença?

As pequenas conquistas são importantes porque são elas que constroem a coragem para as grandes. Ninguém atravessa um oceano sem antes ter aprendido a remar. Ninguém chega ao alto da montanha sem antes respeitar o primeiro passo. Ninguém cura uma tristeza profunda celebrando apenas a felicidade completa, porque a felicidade completa, essa senhora vaidosa, raramente aparece de uma vez. Ela vem em pedaços. Um telefonema. Um abraço. Uma noite bem dormida. Um domingo em paz. Um empate improvável.

O problema é que fomos educados para a apoteose, não para o processo. Queremos o pódio, mas desprezamos o treino. Queremos a colheita, mas não celebramos a semente. Queremos a chegada, mas tratamos o caminho como se fosse apenas um inconveniente entre o desejo e o troféu.

Curaçao comemorou porque entendeu aquilo que os grandes, muitas vezes, esquecem, para quem começa de baixo, o primeiro ponto é monumento. Para quem vem de uma goleada, não perder já é reconstruir a própria imagem diante do espelho. Para quem entra em campo com a camisa menor, o orçamento menor, a tradição menor e a torcida em menor número, sair inteiro é uma forma de grandeza.

E isso vale para o futebol, mas vale muito mais para a vida.

Há pessoas que estão jogando Copas particulares todos os dias. A mãe levanta cedo mesmo exausta. O pai engole o medo para parecer firme. O jovem  manda o primeiro currículo. O trabalhador atravessa a cidade em ônibus lotado e ainda sorri para o porteiro. O idoso reaprende a andar depois de uma queda. O doente consegue tomar banho sozinho. O endividado paga uma parcela. O solitário aceita um convite. O deprimido abre a janela.

Há empates que são epopeias.

Mas nós, viciados em finais cinematográficos, passamos por eles como quem não vê. Achamos pouco. Achamos pequeno. Achamos que ainda não é hora de comemorar. E, adiando a alegria, vamos empurrando a vida para um futuro que nunca chega inteiro.

A verdade é que quem não comemora pequenas conquistas corre o risco de transformar a existência numa sala de espera. Sempre esperando o grande amor, o grande dinheiro, o grande reconhecimento, o grande momento, a grande virada. Enquanto isso, a vida passa miúda, diária, insistente, oferecendo pequenos milagres que recusamos porque estamos ocupados demais procurando fogos de artifício.

O empate de Curaçao com o Equador é bonito por isso. Porque nos lembra que a régua da emoção não pode ser a mesma para todos. O que é pouco para uns pode ser imenso para outros. O que parece migalha para quem nasceu sentado à mesa pode ser um banquete para quem sempre olhou a festa pela janela.

É preciso recuperar o direito à pequena festa.

Comemorar sem vergonha. Sem pedir desculpas. Sem ouvir a voz amarga dos fiscais da euforia dizendo que ainda não foi suficiente. Foi suficiente, sim. Foi o que deu para conquistar naquele dia, naquela circunstância, com aquelas forças. E há uma beleza profunda nisso.

A vida não é feita apenas de taças erguidas. É feita de pontos conquistados, de empates arrancados, de derrotas evitadas, de manhãs recomeçadas. A vida também é aquele zero a zero em que ninguém acreditava, mas que, no fim, faz uma ilha inteira dançar.

Curaçao por certo não ganhará a Copa. Nem passará de fase. Mas já tem algo que ninguém tira. O dia em que seu futebol entrou para a memória não por ter sido maior que todos, mas por ter sido maior que o próprio medo.

E nós, que às vezes nos esquecemos de aplaudir nossas pequenas vitórias, deveríamos aprender com eles.

Porque há dias em que levantar da cama é goleada. Há dias em que não desistir é classificação. Há dias em que empatar com o Equador é tocar o céu com as mãos.

E quando esse dia chegar, comemore. Mesmo que o mundo ache pouco.

O mundo, muitas vezes, entende de consumo, de ranking, de performance, de vaidade.

Mas o coração entende de outra coisa.

O coração sabe quando um ponto vale uma Copa.

Compartilhar matéria

Gostou desta notícia?

→ Comece seus dias sempre atualizado com o que rola de relevante nos negócios, economia e tecnologia em Minas Gerais, no Brasil e no Mundo.

98 News

Siga no

Paulo Leite

Paulo Leite

Sociólogo e jornalista. Colunista dos programas Central 98 e 98 Talks. Apresentador do programa Café com Leite.

Webstories

A história do jogo de Campeonato Mineiro que Ronaldo Fenômeno nunca esqueceu

Cinco ‘podrões’ imperdíveis na Grande BH

Mais de Entretenimento

Mais de Colunistas

O atalho heterodoxo e o caminho mais difícil da responsabilidade

A banca sempre vence, a celebridade ajuda a vender a aposta

IPCA de junho fica no radar do mercado nesta sexta

Entender tecnologia virou habilidade essencial

Mercado do boi recua com menor demanda da China

Liderança exige adaptação, não só previsibilidade

Últimas notícias

Cruzeiro perde dois pênaltis e é derrotado pelo Grêmio em amistoso

Quaest anuncia que não fará pesquisas para candidatos e partidos nas eleições de 2026

Seleção brasileira fecha etapa de Milão da Ginástica Rítmica com ouro e prata antes do Mundial

Alisson mostra disposição para novo ciclo na seleção: ‘Seguimos em frente na busca do hexa’

Gianni Infantino afirma que Fifa vai analisar novo aumento de seleções na Copa

CBF anuncia ‘novo ciclo’ do Brasil para Copa 2030 em vídeo motivacional lançado nas redes

Republicanos nega apoio a Flávio e diz que decisão será tomada apenas na convenção nacional

Dino manda bloquear R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha por investigação sobre emendas

Ônibus com 41 passageiros é destruído por incêndio na BR-251, em Salinas

  • Notícias
  • Auto
  • BH e Região
  • Brasil
  • Carreira
  • Meio Ambiente
  • Mercado
  • Minas Gerais
  • Mundo
  • Política
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol em Minas
  • Futebol no Brasil
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Cinema, TV e Séries
  • Famosos
  • Nas Redes
  • Humor
  • Música
  • Programas 98
  • Rock Insônia
  • No Fundo do Baú
  • Central 98
  • 98 Esportes
  • Buenos Días
  • 98 Futebol Clube
  • Ricardo Amado
  • Catimba 98
  • Graffite
  • Barba, Cabelo e Bigode
  • Preleção
  • Jornada Esportiva
  • Giro na Gringa
  • Os Players
  • Matula
  • Buteco
  • Cadeira Cativa
  • Tudo Menos Futebol
  • Redes Sociais 98
  • @rede98oficial
  • @rede98oficial
  • /rede98oficial
  • @98live
  • @98liveesportes
  • @98liveshow
  • @rede98oficial
  • Redes Sociais 98 News
  • @98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98newsoficial
  • @98newsoficial
  • /98-news-oficial

Baixe Nosso Aplicativo

Siga a Rede 98 no

  • Ao Vivo na 98
  • Contato
  • Anuncie na 98
  • Termos de Uso e Política de Privacidade

Rede 98 © 2021-2025 • Todos os direitos reservados

Avenida Nossa Senhora do Carmo, 99, Sion - 30.330-000 - Belo Horizonte/MG

  • Ao vivo
  • Plateia 98
  • Assine a Update
  • Promo Os Players
  • Notícias
  • Eleições 2026
  • BH e região
  • Brasil
  • Economia
  • Colunistas
  • 98 Segundos
  • Custo Brasil
  • Meio Ambiente
  • Mercado Automotivo
  • Mundo
  • Política
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Esportes
  • América
  • Atlético
  • Cruzeiro
  • Futebol no Mundo
  • Mais Esportes
  • Olimpíadas
  • Seleção Brasileira
  • Entretenimento
  • Agenda
  • Famosos
  • Gastronomia
  • Humor
  • Música
  • Redes