A postura de Romeu Zema (Novo) pode ter contribuído para o desempenho ruim do governador Mateus Simões (PSD) nas pesquisas ao governo de Minas? A avaliação de aliados de Mateus é que sim. Para eles, Zema abraçou uma postura egoísta de poder, podando a campanha do governador.
A relação dos dois, que sempre teria sido de respeito e amizade, teria ficado muito abalada diante do comportamento de Zema. “Não tem como ser diferente”, disse uma pessoa próxima à campanha do governador.
Mateus sempre esteve por trás das decisões mais sensíveis do governo enquanto ainda não era o titular da cadeira. E teria assumido, na prática, as rédeas do governo no último ano da gestão de Zema, quando o então governador teria praticamente abandonado o Estado para focar sua então pré-campanha à Presidência, segundo aliados de Mateus.
Mesmo depois disso, Zema se recusou a disputar a Câmara dos Deputados ou o Senado, opções que ajudariam na eleição não só de Mateus, mas também de parlamentares do Novo, partido do governador.
Mesmo pontuando cerca de 1% nas pesquisas, Mateus não teria largado a mão do ex-governador. Zema, por sua vez, teria se recusado até o último minuto a liberar Mateus para apoiar Flávio Bolsonaro (PL), o que poderia ajudar o governador a crescer nas pesquisas.
O objetivo da equipe de Mateus era chegar ao debate da Globo, na última terça-feira, se colocando também como um candidato de Flávio. Mas a sinalização teve que ser bem tímida.
Agora, nessas últimas horas antes da eleição, eles avaliam que de nada adiantaria uma mudança de postura de Zema, uma vez que não haveria mais potência de mídia para fazer a ligação entre os dois.
Mateus então estaria liberado para buscar seus próprios caminhos.
De resto, fica o ressentimento de uma amizade que, na avaliação deles, teria sido de mão única.
