Há quem escreva para noticiar. Há quem escreva para entreter. E há quem escreva para incomodar o conforto das versões oficiais. As minhas colunas nascem desse terceiro impulso. Não me interessa apenas repetir o fato do dia, empilhar aspas ou reeditar o release com verniz de análise. O que me move é outra coisa: entender o que está por trás da notícia, quem ganha com ela, quem perde com ela e, sobretudo, o que ela revela sobre o país, sobre Minas e sobre o tempo político que estamos vivendo.
Ao longo das minhas colunas, busco uma linha muito clara. Não gosto do texto neutro no sentido preguiçoso da palavra. Sempre apuro para buscar o que interpreto. Opinião, para mim, não é grito. Opinião é responsabilidade. É olhar para os fatos, reunir contexto, ligar pontos e dizer com clareza aquilo que muita gente percebe, mas nem sempre encontra formulado de maneira direta.
Nunca me contentei com o comentário burocrático. Nunca me interessou o texto frio, engessado, que parece redigido por uma repartição pública com medo de adjetivo. Gosto da frase que abre janela da imagem, da ironia que desmonta a encenação, da crítica que vai ao nervo do problema. A política, afinal, não é um desfile de cargos e siglas. É disputa de poder, interesse, narrativa e consequência. E é assim que procuro tratá-la.
Me oriento por alguns trilhos principais. O primeiro deles é o poder. O poder em Brasília, o poder em Minas, o poder nos bastidores, o poder nas cortes, o poder nos palanques e o poder nos arranjos que o público nem sempre vê, mas quase sempre paga.
Tenho insistido muito na análise do Supremo Tribunal Federal, do Congresso, das CPIs, das tensões institucionais e dos movimentos eleitorais. Não por obsessão temática, mas porque é ali que se decide muito do que depois chega ao bolso, à rua, ao humor social e à vida prática das pessoas.
Outro eixo central das minhas colunas é Minas Gerais, especialmente Belo Horizonte. Eu não trato BH e MG como paisagem de fundo. Trato como centro de gravidade. A Pampulha degradada, a Savassi pressionada, as estradas mal conservadas, a mobilidade precária, o lixo, a insegurança, a ocupação desordenada, a miopia administrativa, tudo isso não é apenas problema local. É sintoma de um modelo de gestão que muitas vezes anuncia mais do que entrega e promete mais do que realiza. A cidade e o estado aparecem nas minhas colunas como espelho do Brasil real, bonito no discurso, desleixado na execução.
A economia também ocupa um lugar importante no que escrevo. Mas nunca com o economês de gabinete. Sempre me interessou traduzir números para a vida concreta. Orçamento público, indústria, investimentos, comércio, turismo, infraestrutura, ambiente de negócios, dívida pública, desperdício estatal, nada disso é assunto técnico demais quando afeta emprego, consumo, segurança e perspectiva de futuro. Procuro fazer a ponte entre o dado e o cotidiano. Mostrar que planilha também vota, imposto também corrói e decisão fiscal também molda destino.
Talvez por isso minhas colunas tenham um tom frequentemente crítico. Não por esporte. Não por amargura. Muito menos por prazer em demolir. A crítica é, em muitos casos, a única forma honesta de enfrentar o teatro das conveniências. Vivemos cercados de marketing político, de embalagens institucionais vistosas e de discursos cuidadosamente editados para parecer virtude. A coluna, quando cumpre seu papel, rasga a embalagem. E, convenhamos, muita coisa no Brasil vem em caixa bonita e conteúdo vencido.
Gosto da frase que chama o leitor pelo colarinho, não para escandalizar, mas para acordar. No rádio, isso é ainda mais necessário. No vídeo curto, mais ainda. No site, a exigência muda de roupa, mas não de essência, o texto precisa ter pulsação. Precisa sair da tela com alguma vida. Precisa ter informação, sim, mas também ter voz. E talvez a minha voz esteja justamente nessa mistura entre análise, inconformismo, ironia e compromisso com clareza.
Uso um olhar político, busco desmontar versões fáceis. Não me satisfaço com a superfície. Textos tem que escavar, tem que traduzir o que está por trás das manchetes, dos gestos, dos silêncios e das conveniências.
Parto de uma convicção simples. O jornalismo opinativo só vale a pena quando ajuda o leitor ou o ouvinte a buscar novas formas de pensar. Não gosto de catequese, ninguém deve concordar comigo por obrigação. Provoco a engrenagem que move a cena pública. O resto é espuma. E a espuma, no Brasil, costuma fazer muito barulho enquanto a água suja continua passando por debaixo da ponte.
