A defesa do banqueiro e ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro solicitou a “imediata soltura” do empresário. O pedido foi feito em uma nota assinada pelos advogados Sérgio Leonardo, Engels Muniz e Daniel Bialski, e publicada nesta quarta-feira (30/09).
No documento, os advogados pedem que Vorcaro aguarde em liberdade o desfecho das apurações conduzidas no âmbito da Operação Compliance Zero. A defesa argumenta que a prisão preventiva é “inoportuna e desnecessária“, ressaltando que o investigado se encontra detido “sem qualquer denúncia ou acusação formal“.
A nota critica, ainda, o que chama de “vazamento seletivo de mensagens”. Os advogados também negam alegações de ameaça, violência e intimidação por parte de Vorcaro.
Daniel Vorcaro está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, em Brasília.
Ausência de ilicitudes e rebatimento das acusações do inquérito
Em depoimento prestado à Polícia Federal, a defesa sustenta ter ficado demonstrado que Vorcaro “jamais praticou, determinou ou se envolveu em atos de violência, intimidação, perseguição ou ameaça”, destacando que, após oito meses de investigação, não existe qualquer vítima identificada nos autos.
A nota da defesa esclarece e rebate os principais pontos que fundamentam a investigação:
- Inexistência de grupos criminosos: Os advogados afirmam que expressões como “A Turma” ou “Os Meninos” jamais designaram organizações criminosas ou estruturas organizadas. Eles esclerecem, ainda, que o único vínculo existente era com Luiz Phillipi Mourão (o ‘Sicário’), com quem Vorcaro mantinha um contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.
- Adoção de meios legais e recortes de mensagens: A defesa pontua que Vorcaro sempre buscou vias jurídicas e oficiais para resolver conflitos (como registros de ocorrências e queixas) e que eventuais desabafos em mensagens privadas foram fruto de “recortes maliciosos”, sem gerar consequências práticas ou risco a terceiros.
- Descarte de plano de fuga: A hipótese de tentativa de fuga foi rebatida com a indicação de que a viagem de Vorcaro ao exterior havia sido previamente comunicada às autoridades, acompanhada de reservas antecipadas de hotel e registro de plano de voo — providências tomadas antes da expedição da ordem de prisão.
- Violação de sigilo e motivações políticas: Os defensores manifestaram perplexidade em relação ao que chamam de “vazamento ilegal de mensagens sigilosas” trocadas entre Vorcaro e seus advogados, concluindo que a manutenção da prisão preventiva em um Estado Democrático de Direito não pode ser pautada por razões políticas.
A manifestação ocorre depois de um pedido apresentado ao STF no dia 18 de setembro, quando a defesa solicitou a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares.
