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EUA voltam atrás: tarifas sobre café e banana elevaram preços e derrubaram popularidade

Por

Izak Carlos

Izak Carlos
  • 13/11/2025
  • 12:50

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Café
Nesta quarta-feira (12), a informação foi confirmada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em outro programa da emissora, o Fox and Friends (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil).

Nesta quarta-feira (12), a informação foi confirmada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em outro programa da emissora, o Fox and Friends (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil).

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Os Estados Unidos acabam de anunciar que vão adotar medidas para reduzir os preços de produtos básicos como café, banana e outras commodities que tiveram forte alta nos últimos meses. A razão: as tarifas impostas pelo próprio governo americano sobre esses produtos. Eu avisei — e a economia também. O resultado era tão previsível quanto inevitável.

Quando um país decide taxar aquilo que não produz e sobre o qual não tem vantagem comparativa, o desfecho é sempre o mesmo: preços sobem, oferta diminui e o consumidor paga a conta. Foi exatamente isso que aconteceu. Na tentativa de proteger a produção doméstica, o governo americano decidiu impor tarifas sobre commodities e produtos agrícolas importados, especialmente de países latino-americanos — e mais especialmente ainda do Brasil.

O problema é que, no caso de itens como café e banana, os Estados Unidos não são produtores significativos, e não há nada que a tarifa possa fazer para mudar isso. Por uma questão de clima, solo e recursos naturais, simplesmente não há vantagem comparativa para essas culturas em território americano. Tarifar o que não se produz é apenas uma forma de aumentar artificialmente os preços. O resultado foi imediato e previsível.

A inflação de alimentos subiu, os consumidores sentiram o impacto direto no bolso e a popularidade do presidente despencou. A lógica é simples e velha conhecida dos manuais de economia. Ao taxar a importação de um bem essencial e sem substituto doméstico, o governo restringe a oferta e empurra o preço para cima. E, como se trata de commodities cujos preços são definidos globalmente, não há como isolar o mercado americano desse movimento.

Agora, diante da evidência empírica e da pressão política, o governo dos Estados Unidos começa a voltar atrás. O secretário do Tesouro anunciou medidas para tentar conter os preços e aliviar a inflação. Traduzindo: as tarifas que provocaram aumento nos preços estão sendo revertidas. E o governo corre para desfazer um erro que muitos economistas do mundo inteiro já haviam alertado desde o início. A economia, afinal, é implacável com quem insiste em ignorar seus fundamentos.

O episódio serve também de retrato para uma confusão recente na política econômica americana. Usar tarifas como instrumento de política industrial pode, em casos específicos, proteger temporariamente uma cadeia produtiva nacional. Mas, quando o alvo são produtos agrícolas tropicais, como café, banana ou cacau, a estratégia beira o surrealismo. Nenhum imposto, por mais elevado que seja, vai fazer o sol da Flórida se transformar no Cerrado brasileiro.

O único resultado prático é o mesmo que estamos vendo: inflação e perda de competitividade. E o paralelo com o Brasil é inevitável. Somos um dos maiores exportadores de café e proteína animal do mundo. Quando os Estados Unidos decidem distorcer o mercado global com ideias protecionistas, o impacto recai sobre a própria economia americana. O mundo é interdependente, e quem tenta se isolar paga o preço.

Agora, ao reverter as tarifas, os Estados Unidos também criam uma janela de oportunidade para os exportadores brasileiros, que podem reconquistar espaço em um mercado antes encarecido artificialmente. Em economia, não existe alquimia. Nenhum decreto, tarifa ou discurso político é capaz de alterar as leis básicas de oferta e demanda. Quando um país tenta controlar preços na marra, restringindo importações ou tributando bens essenciais, o resultado é sempre o mesmo: distorções, carestia e perda de bem-estar.

A economia não se dobra à vontade dos governos. Ela apenas responde a incentivos — e incentivos errados sempre cobram o seu preço. O óbvio aconteceu. Agora, resta aguardar o próximo capítulo. É só uma questão de tempo até que os Estados Unidos percebam que o mesmo raciocínio vale para outros setores, como produtos industriais e proteína animal. As tarifas podem até render manchetes e aplausos políticos no curto prazo, mas a conta, inevitavelmente, chega.

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Izak Carlos

É economista-chefe do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Formado em economia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com MBA em Gestão Financeira pela Fundação Getúlio Vargas, mestrado e doutorado em economia aplicada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), já atuou como economista, especialista e consultor econômico da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG). Izak também é sócio-diretor da Axion Macrofinance e Especialista do Instituto Millenium.

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