O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, afirmou que as empresas precisam iniciar imediatamente as adaptações à redução da jornada de trabalho e ao fim da escala 6×1. Em vídeo divulgado pela entidade, Roscoe classificou as mudanças como “preocupantes para a indústria e para a economia brasileira” e alertou para possíveis impactos na produtividade e nos preços de produtos e serviços.
Segundo o presidente da Fiemg, as empresas terão um período de transição de um ano e dois meses para se adequar às novas regras, com a jornada de 40 horas semanais entrando em vigor ao final desse prazo.
“Temos que trabalhar agora para que as empresas saiam na frente, readequem seus turnos, suas horas e seus modelos de produção, para que estejam seguindo a lei o mais rápido possível. O prazo é pequeno, mas é algo que precisa começar a ser feito desde agora”, afirmou.
Roscoe defendeu que a redução da jornada de trabalho deveria ocorrer por meio de negociações coletivas entre empregadores e trabalhadores, considerando as particularidades de cada setor econômico.
“A redução de jornada é algo que naturalmente já acontece e deveria estar dentro das negociações coletivas. É uma tendência mundial que as pessoas trabalhem menos. Mas, quando você engessa isso na Constituição, traz um problema, porque vários setores têm especificidades e exceções que não são contempladas”, declarou.
O dirigente citou que a jornada média efetiva de trabalho no Brasil é de 39,5 horas semanais, abaixo do limite de 44 horas. Segundo ele, há setores que operam com jornadas inferiores a 36 horas, enquanto outros necessitam de cargas horárias maiores.
Para Roscoe, a combinação entre a redução da jornada e a mudança na distribuição dos dias de trabalho pode dificultar a organização das atividades econômicas.
“Você está engessando o número de horas a serem trabalhadas, mas também como essas horas serão distribuídas ao longo da semana. Isso é muito negativo, porque há dificuldades de adaptação em alguns setores, e isso vai virar um problema para a economia”, avaliou.
O presidente da Fiemg também recomendou que as empresas revisem seus turnos e modelos de produção para tentar reduzir possíveis perdas de produtividade durante a transição.
Outro ponto levantado por Roscoe foi o possível impacto das mudanças sobre o poder de compra da população. Na avaliação dele, a redução da jornada sem aumento correspondente da produtividade poderá elevar os custos das empresas, com reflexos nos preços pagos pelos consumidores.
“Você vai ganhar o mesmo tanto, mas vai pagar mais por tudo aquilo que consome, seja produto ou serviço”, afirmou.
Roscoe defendeu que o aumento da produtividade seja prioridade para permitir a redução da jornada sem comprometer o poder aquisitivo dos trabalhadores.
“O grande desafio do Brasil hoje é o aumento da produtividade. É o aumento da produtividade que efetivamente gera riqueza e possibilita a redução da jornada sem perda de poder aquisitivo”, concluiu.
