O vice-governador e Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), criticou o presidente Lula (PT) por pedir que estados e municípios reduzam o ICMS dos combustíveis. Durante evento voltado ao agronegócio realizado no Expominas, em Belo Horizonte, Simões falou sobre a crise de diesel que colocou o país em alerta nos últimos dias.
“O Lula é um mentiroso contumaz. Ele fala que vai resolver o problema com o dinheiro de outra pessoa. Ele fala ‘não, vou resolver o problema do diesel com o dinheiro os estados’. Manda ele resolver com o dinheiro dele. O que ele deixou ser desviado do INSS, que vai ter que ser pago agora aos aposentados. O que ele rasga em Lei Rouanet, para patrocinar gente que não representa o Brasil efetivamente. Manda ele colocar esse dinheiro no diesel, ao invés de tentar roubar o dinheiro da saúde. Porque se eu tirar o dinheiro daqui ai faltar nas outras coisas todas”, desabafa Simões.
A fala do vice-governador chega em um momento em que o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tenta articular junto aos estados uma alternativa viável de redução do ICMS dos combustíveis. A proposta será discutida no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), presidida pelo próprio ministro.
A declaração vai ao encontro de declaração emitida nesta terça-feira (17/03) pelo Comitê Nacional de Secretarias de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz). Por meio de nota, a entidade afirmou que a redução de impostos nem sempre reflete em queda proporcional nas bombas, e pode impactar serviços essenciais dos estados como saúde, segurança e educação.
‘Problema maior para o consumidor’
Para Simões, a crise do diesel é real e pode afetar diretamente o consumidor. “A preocupação é legítima, a solução é uma hipocrisia do governo federal”, afirma o vice-governador. “[A crise] é um problema para o produtor, mas é um problema maior para o consumidor. Porque o produtor não tem o que fazer, isso vai entrar no preço. O problema é lá no consumidor final, vamos ter inflação”, explica Simões.
A meta, segundo o executivo, é proteger o mercado local. “Já estamos sendo agredidos. O governo federal continua ajudando o Uruguai, a Argentina, a praticarem dumping no nosso mercado”, conta. “Precisamos que o governo federal impeça a entrada de leite importado no Brasil”, completa. Para Simões, a crise do morango também é alarmante, uma vez que o produto tem sido importado do Egito.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Antônio de Salvo, faz coro com as preocupações de Simões. “Tivemos problema com a tilápia, vinda do Vietnã, que tem doenças que nós não temos aqui”, conta. “E mais do que isso, estamos com problema agora da possível entrada de banana do Equador, que tem Fusarium Raça 4 [um tipo de doença] que pode exterminar os nossos bananais. E o governo federal fecha os olhos pra isso”.
“Já temos uma logística difícil, estamos com aumento de combustível. Infelizmente, quem vai pagar essa conta, somos nós consumidores”, completa de Salvo.