O Minas Trend chega ao fim em Belo Horizonte com público acima do esperado e um salão de negócios que manteve o ritmo de circulação e negociações ao longo dos três dias de evento. Segundo a FIEMG, mais de 5 mil pessoas visitaram o maior salão de negócios da América Latina no período.
Nesta edição, o evento reuniu 123 indústrias expositoras e 139 marcas. O setor de joias e bijuterias liderou em número de participantes, com 56 indústrias, seguido por outros segmentos relevantes da cadeia produtiva da moda.
Público e negócios mantêm ritmo no salão
Mais do que os números, o Minas Trend evidenciou um movimento da indústria de ampliar o olhar para além do produto final. A moda passa a ser entendida também como resultado direto do comportamento do consumidor e das transformações sociais.
O estilista e pesquisador Walter Rodrigues, coordenador do núcleo de design do Inspiramais e também palestrante no evento, destacou que o desenvolvimento de tendências parte cada vez mais da leitura de cenário.
“O InspiraMais está sempre baseado nesse espírito, nessa ideia de como o consumidor vai reagir lá na frente diante de tantas incertezas do mundo, da questão geopolítica, de como está o bolso desse consumidor. A partir disso, a indústria precisa se adaptar para que o produto faça sentido no momento da compra”, afirmou.
Segundo ele, a moda dialoga diretamente com fatores econômicos e sociais, o que exige uma análise mais ampla do contexto global.
“É um estudo comportamental. A moda tem base na antropologia. Questões como economia, cenário internacional e até o nível de otimismo ou insegurança da sociedade impactam diretamente o que será produzido e consumido”, completou.
Capacitação ganha peso para pequenas e médias marcas
Esse cenário mais complexo também exige maior preparo das marcas, especialmente das pequenas e médias empresas. No Minas Trend, 40 negócios participaram do programa Integra Moda, com acompanhamento do Sebrae Minas.
De acordo com a analista do Sebrae Minas, Alice Quadros, o trabalho é focado nas especificidades do setor.
“A gente consegue trabalhar com mais particularidade as necessidades de quem atua na moda, seja no vestuário, calçados ou acessórios. São demandas muito específicas que exigem um acompanhamento direcionado”, explicou.
Resultado positivo reforça importância do encontro presencial
No salão de negócios, esse preparo encontra um ambiente mais exigente, mas também com resultados positivos. O presidente do Sindijoias Ajomig, Murilo Graciano, avaliou o desempenho desta edição.
“Podemos dizer com satisfação que o dever foi cumprido. Houve sucesso em vendas e na captação de novos clientes, que é justamente o objetivo desse tipo de evento presencial”, afirmou.
A avaliação reforça a percepção de expositores e compradores sobre a importância do encontro físico como espaço de conexão e geração de negócios.
Handmade e sustentabilidade ganham destaque
A participação de Alagoas, presença recorrente no Minas Trend, chamou atenção nesta edição pelo foco no handmade e na sustentabilidade. O presidente do Sindivest Alagoas, Francisco Acioli, destacou o uso de materiais naturais e processos artesanais.
“Temos um diferencial muito forte com as rendas, que são patrimônio. Apostamos no handmade e também em iniciativas sustentáveis, como projetos de reciclagem de materiais naturais, como casca de sururu e de lagosta”, disse.
O uso de técnicas artesanais aliado à sustentabilidade aparece como um dos caminhos de valor dentro da moda brasileira.
Ao longo do evento, essa combinação entre tradição, inovação e adaptação ao mercado se repetiu em diferentes frentes da cadeia produtiva.
O que o Minas Trend deixa, neste encerramento, é o retrato de uma indústria em movimento, que testa diferentes caminhos e amplia sua forma de pensar: do comportamento do consumidor à matéria-prima, da gestão ao posicionamento no mercado.
