O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2/6) que os Estados Unidos demonstram preocupação com o Pix por causa do impacto que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos pode causar em empresas de cartão de crédito que atuam no país. A declaração foi feita durante evento em Catalão, no interior de Goiás.
Segundo Lula, a gratuidade e a ampla utilização do Pix explicariam a resistência de setores econômicos norte-americanos ao modelo criado pelo Banco Central.
“A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas de cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. O Pix é de graça, é público e ninguém paga nada”, declarou.
A fala ocorre após a divulgação de um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida ainda depende de etapas administrativas e poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho.
Relatório cita Pix entre motivos de investigação
O documento é resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O USTR analisou políticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação do governo norte-americano, podem prejudicar interesses comerciais dos EUA.
Entre os pontos citados estão decisões judiciais brasileiras, multas aplicadas a empresas de tecnologia americanas e o funcionamento do Pix. O relatório sustenta que o sistema de pagamentos instantâneos pode colocar em desvantagem empresas dos Estados Unidos que oferecem serviços de pagamento eletrônico.
Ao comentar o tema, Lula afirmou ter sugerido a Trump que os Estados Unidos criassem uma ferramenta semelhante.
“Eu falei para o Trump: em vez de ter medo do Pix, coloca o Pix para funcionar nos Estados Unidos”, disse.
Críticas à tarifa e aos Bolsonaro
Durante o discurso, o presidente também criticou a recomendação de aumento tarifário sobre produtos brasileiros, classificando a justificativa apresentada pelos americanos como equivocada.
Mais cedo, em outro compromisso em Goiás, Lula associou as conclusões do relatório à atuação de integrantes da família Bolsonaro nos Estados Unidos. Segundo o presidente, os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro buscaram apoio de autoridades americanas para influenciar decisões relacionadas ao Brasil.
O presidente classificou os filhos do ex-presidente como “traidores” e “vendilhões da pátria”. Na semana passada, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro participaram de reuniões com auxiliares de Donald Trump em Washington e divulgaram registros ao lado do presidente americano.
A investigação comercial conduzida pelo governo dos Estados Unidos continua em análise, e a decisão sobre a eventual aplicação das tarifas deve ser concluída nas próximas semanas.
