A declaração de Donald Trump de que o Brasil “não tem sido bom para os Estados Unidos” e o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros acendem um sinal vermelho para a economia nacional, especialmente para estados exportadores, como Minas Gerais. Essa tarifa pode inviabilizar grande parte das nossas exportações para o mercado norte-americano.
Atualmente, os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Exportamos desde produtos manufaturados e químicos até petróleo, café e alumínio. Ainda assim, temos um déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, ou seja, importamos mais do que vendemos para eles. Minas Gerais também será duramente atingido. O estado exporta principalmente produtos da agroindústria e da mineração, como ferro, aço, café e alimentos industrializados.
Uma tarifa de 50% pode tornar esses produtos inviáveis frente a concorrentes de outros países, comprometendo faturamento, produção e empregos locais. O setor de alumínio, por exemplo, já é frequentemente alvo de sobretaxas nos Estados Unidos, e o novo aumento nas tarifas poderia praticamente tirar o Brasil do mercado norte-americano. Já no agronegócio, setores como o do café, onde Minas Gerais é líder nacional, sentiriam um forte impacto nas vendas, pressionando desde produtores até exportadores e cooperativas.
As consequências são concretas: menor volume de exportações, margens mais apertadas, redução da produção, das emissões e dos investimentos. Com menos renda, vem também menos consumo, o que afeta toda a economia. Além disso, a perda de mercado nos Estados Unidos obrigaria as empresas a buscar novos destinos, algo que nem sempre é simples, rápido ou rentável. Por isso, o momento exige diplomacia econômica, e não retórica política.
O Brasil precisa negociar, apresentar dados concretos sobre o comércio bilateral e demonstrar que não representa uma ameaça à indústria americana. Medidas unilaterais desse tipo distorcem o comércio, geram ineficiências e prejudicam ambos os lados. Em economia, não existe alquimia. Uma tarifa de 50% não é apenas um número, é perda de competitividade, de renda e de emprego. E, como toda decisão econômica tem consequências, o Brasil precisa reagir com inteligência, técnica e estratégia.