Belo Horizonte está entrando naquele momento em que a cidade muda de pele: vira avenida, vira tambor, vira multidão. E, com ela, vem uma coisa que costuma ser subestimada no debate público: Carnaval também é economia, e economia que significa muito para a cidade.
A própria Belotur trabalha com expectativa de 6,2 milhões de foliões e impacto econômico acima dos R$ 1 bilhão, arrecadados no ano passado, em movimentação na cidade. Isso é hotel, bar, restaurante, transporte por aplicativo, ambulante, evento, palco, som, segurança, limpeza, produção. É dinheiro circulando como confete no vento.
E eu começo pelo óbvio, que precisa ser dito: patrocínio é sempre positivo. Venha de onde vier, patrocínio é recurso entrando para ajudar a festa a funcionar, aliviar orçamento público e melhorar estrutura.
A Prefeitura tinha trabalhado com a meta de R$ 21 milhões em patrocínios no edital. Só que, a poucos dias do Carnaval, o que tinha sido captado era R$ 1 milhão, ou 4,76% do previsto. Depois, pelos contratos diretos anunciados, o número sobe para R$ 2,3 milhões, recursos de instituições e da iniciativa privada.
Então sim: é bom ter R$ 2,3 milhões.
Mas a disparidade entre o que se buscou (R$ 21 milhões) e o que entrou (R$ 2,3 milhões), mostra que temos capacidade para ampliarmos essas participações.
É preciso entender se a precificação ficou um pouco fora do ponto… ou o processo de venda, revelou uma operação que ficou mais difícil do que deveria? Porque quando a vitrine é boa e o produto é desejado, a cidade não costuma chegar na véspera com a gôndola tão vazia.
Mas vamos ao que importa: o retorno em impostos.
O imposto municipal que mais “conversa” com esse tipo de evento é o ISS, cobrado sobre serviços, e Belo Horizonte prevê alíquotas que podem chegar a 5% em várias atividades.
Claro: nem todo o dinheiro gasto vira base de ISS (tem mercadoria, tem informalidade, tem gasto que não entra como serviço tributável). Então o jeito sério de falar disso é por cenários prudentes.
Vamos fazer três contas simples: Se apenas 20% desse R$ 1 bilhão do ano passado virar serviços tributáveis em BH, isso dá R$ 200 milhões. A 5%, o ISS seria algo como R$ 10 milhões. Se for 30%, dá R$ 300 milhões. A 5%, R$ 15 milhões. Se for 40%, dá R$ 400 milhões. A 5%, R$ 20 milhões.
Perceba a ordem de grandeza: mesmo num cenário bem conservador, o potencial de retorno em ISS pode superar com folga o valor do patrocínio. E isso sem contar taxas, licenças e o efeito em cadeia: emprego temporário, renda distribuída, consumo puxando outros setores.
É por isso que eu digo: o patrocínio é ótimo, mas o Carnaval de BH é tão grande que ele se paga várias vezes, como um evento que vira, ao mesmo tempo, festa e motor.
O retrato final é este: R$ 2,3 milhões em patrocínio é notícia boa, recurso privado ajudando a festa a acontecer. O Carnaval tem impacto econômico estimado acima de R$ 1 bilhão, com milhões nas ruas, e isso tende a produzir retorno relevante ao município, especialmente via serviços.
Se a festa significa diversão, entretenimento. O resultado econômico que ela representa, significa desenvolvimento, que não seria viabilizado sem os patrocínios captados.
