PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Sem energia elétrica, tudo para

Siga no

As estratégias modernas de resiliência elétrica nas grandes cidades buscam evitar que apagões se transformem em crises urbanas em cascata (Arquivo EBC)

Compartilhar matéria

“A energia elétrica é a espinha dorsal do desenvolvimento econômico, social e da qualidade de vida”.

A falta de energia elétrica é um dos maiores transtornos que a sociedade moderna enfrenta, especialmente nos meios urbanos.

Alguns estudiosos e cientistas dizem que nas cidades, o grande aglomerado de gente, produção, comércio, consumo, é o que o mundo tem de melhor em termos de pegada ambiental.

A tese de que cidades densas podem ser ambientalmente melhores se apoia na ideia de que a concentração de pessoas e atividades reduz o uso de recursos per capita, diminui a dependência do transporte emissor de gases poluentes e torna os serviços públicos mais eficientes, e a verticalização e o uso compacto do solo preservam áreas naturais, reduzindo a expansão urbana desordenada, permitindo menor pegada de sustentabilidade.

No entanto, isso só funciona quando há planejamento urbano adequado e infraestrutura sustentável.Infra Estruturas como redes de energia, saneamento e transporte são otimizadas quando atendem grandes populações em áreas menores

No entanto, apesar da eficiência, cidades já consomem 70–75% dos recursos naturais globais tendo como consequência impactos ambientais locais como poluição do ar, ilhas de calor e gestão de resíduos e de serviços públicos tornam-se problemas críticos em áreas densas. Além disso,sem planejamento, a densidade pode gerar favelização, falta de saneamento e degradação ambiental.

A tese é parcialmente verdadeira: cidades densas podem ser ambientalmente melhores se planejadas com transporte público de qualidade, eficiência energética e gestão de resíduos. Sem isso, a densidade apenas concentra problemas. O desafio é equilibrar *eficiência coletiva* com qualidade de vida individual.

Copenhague, Barcelona e Singapura são cidades que provam que alta densidade urbana pode ser ambientalmente positiva quando acompanhada de políticas de transporte sustentável, energia limpa e integração da natureza.

São Paulo e Cidade do México são megacidades que enfrentam enormes desafios ambientais devido à densidade populacional e ao uso intensivo de recursos, e a problemas constantes de infra estrutura, especialmente no serviço de eletricidade, em períodos de extremos climáticos, o que também se aplica a outras grandes capitais brasileiras.

A energia elétrica é a espinha dorsal das grandes cidades: sem ela, transporte, saúde, abastecimento público, comunicação, segurança, a vida cotidiana e a economia entram em colapso. O artigo “Understanding cascading risks through real-world interdependent urban infrastructure de Brunner que pode ser lido neste link mostra como falhas elétricas podem desencadear riscos em cadeia, afetando múltiplos sistemas urbanos interdependentes.

O estudo mostra que falhas em infraestruturas urbanas não ocorrem isoladamente. A eletricidade, sendo central, quando interrompida, desencadeia falhas em outros sistemas. Com o aumento da interdependência e dos riscos climáticos, os apagões urbanos podem gerar crises sociais e econômicas de grande escala.

Os autores concluem que “É essencial desenvolver infra estruturas resilientes, com redundância e coordenação entre setores, para evitar que falhas locais se tornem colapsos urbanos generalizados”.

A energia elétrica é fundamental para o funcionamento e a resiliência das cidades modernas. Sem ela, os sistemas urbanos entram em colapso em cascata. O artigo reforça que o planejamento urbano deve considerar *interdependência de infraestruturas e resiliência climática para evitar crises sociais e econômicas.

Os apagões de NY (2003) e SP ( 2009, 2025, 2026) revelam que *megacidades dependem criticamente da energia elétrica* e que falhas podem gerar crises urbanas em cascata. Nova York mostrou o impacto de falhas sistêmicas em redes interconectadas; São Paulo evidencia como eventos climáticos extremos e infraestrutura vulnerável podem repetir o problema. A lição é clara: resiliência elétrica é condição para segurança urbana e desenvolvimento econômico.

As estratégias modernas de resiliência elétrica nas grandes cidades buscam evitar que apagões se transformem em crises urbanas em cascata. Elas combinam tecnologia digital, energia renovável e planejamento integrado para tornar os sistemas elétricos mais robustos e adaptáveis.

Dentre as estratégias a serem perseguidas para o enfrentamento desta questão temos as seguintes:

1. Microgrids (redes elétricas locais)

– Pequenas redes independentes que podem operar conectadas ou isoladas da rede principal, e garantem fornecimento contínuo em hospitais, universidades e bairros críticos durante apagões.

2. Energia renovável distribuída

– Painéis solares, turbinas eólicas urbanas e sistemas de biomassa reduzem a dependência de grandes usinas, que permitem produção local diminuindo vulnerabilidade a falhas em linhas de transmissão.

3. Armazenamento de energia

– Baterias de grande escala (como Tesla Megapack) estabilizam a rede e fornecem energia em emergências, e são essenciais para integrar fontes renováveis intermitentes.

4. Redes inteligentes (Smart Grids)

– Uso de sensores, IoT e inteligência artificial para monitorar e ajustar o fluxo de energia em tempo real, que detectam falhas rapidamente e direcionam energia para evitar apagões generalizados.

5. Infraestrutura subterrânea e resistente ao clima

– Enterrar cabos elétricos reduz riscos de quedas de árvores e tempestades, implantar mais subestações elevadas ou protegidas contra enchentes evitam falhas em eventos climáticos extremos.

6. Planejamento integrado de infraestruturas

– Considera interdependência entre eletricidade, água, transporte e telecomunicações, evitando que falhas elétricas causem colapsos em cascata.

Estima-se que apenas para a cidade de São Paulo, para implantar de forma plena um plano de resiliência elétrica, sejam necessários entre R$ 30 e R$50 bilhões em 10 a 15 anos.

Para entender melhor sobre o tema recomendo a leitura do ebook “Apagões: Quem poderá nos defender?, escrito em autoria com o amigo e especialista Décio Michaelis, que pode ser acessado neste link.

Compartilhar matéria

Siga no

Enio Fonseca

Engenheiro Florestal especialista em gestao socioambiental. CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, Conselheiro do FMASE. Foi Superintendente do Ibama, Conselheiro do Copam e Superintendente de Gestão Ambiental da Cemig. Membro do IBRADES , ABDEM, ADIMIN, da ALAGRO E SUCESU

Webstories

Mais de Entretenimento

Mais de Colunistas

A banca sempre vence, a celebridade ajuda a vender a aposta

O fim das senhas já começou. Desta vez, é para valer

Talvez não sejamos tão bons quanto pensávamos

Michelle saiu do cargo, mas quem perdeu espaço foi Flávio

A experiência de conhecer um Club Med no Brasil

O PL mineiro entre a prudência pública e a confusão dos bastidores

Últimas notícias

Caminhão de mexericas capota e deixa motorista ferido no Anel Rodoviário em BH

Julia Kudiess tem nova lesão grave e desabafa: “Difícil acreditar que aconteceu de novo”

Quais são os semifinalistas da Copa do Mundo? Confira os próximos confrontos

Tempo seco e chuva: confira a previsão do tempo para BH neste domingo (12)

Novas regras proíbem publicidade de bets com promessa de ganho fácil

Inglaterra vence a Noruega de virada e avança à semifinal da Copa do Mundo

Caiado ironiza carta de Bolsonaro lida por Flávio e diz que liderança ‘não se herda’

Acidente entre ônibus de excursão e caminhão deixa dois mortos e 23 feridos no Sul de Minas

Tuchel defende Ancelotti após eliminação do Brasil: ‘É um dos técnicos de maior sucesso’