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Por trás das câmeras: cinegrafista mineira revela bastidores do BBB

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Formada em jornalismo pela UFSJ, Suellen chegou ao BBB após um processo seletivo longo na TV Globo e integrou a equipe responsável por registrar tudo o que o público vê pela telinha (Foto: Divulgação/ Suellen Jacques).

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O BBB 26 começou e, mais uma vez, passa a fazer parte do dia a dia do brasileiro, principalmente nas redes sociais. Mas, enquanto o público acompanha o que ocorre dentro da casa, há uma engrenagem invisível que funciona 24 horas por dia por trás das câmeras. Parte dessa engrenagem foi operada, nos últimos quatro anos, por uma mineira de Contagem, a operadora de câmera Suellen Jacques, que viveu o reality do outro lado do espelho.

Formada em jornalismo pela UFSJ (Universidade Federal de São João Del-Rey), Suellen chegou ao BBB após um longo processo seletivo na TV Globo e passou a integrar a equipe responsável por registrar tudo o que o público vê pela telinha.

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Antes de trabalhar com câmeras de televisão, Suellen passou pela fotografia e pelo audiovisual ainda na graduação. A entrada na Globo veio depois de diversas tentativas e de um processo seletivo iniciado antes da pandemia. Em 2021, foi chamada para a oficina de operadores de câmera, um treinamento intensivo que funcionou como porta de entrada para o BBB.

“Foram quase sete tentativas até conseguir entrar. Quando me chamaram, parecia que seriam só seis meses, mas eu sabia que precisava aproveitar aquela chance”, conta Suellen.

A oficina tinha foco direto no Big Brother Brasil. Dos 14 alunos da turma, a maioria foi direcionada para o reality, ainda antes da efetivação definitiva.

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Não para nunca

Dentro da Globo, o BBB ocorre no Centro de Produção de Reality (CPR), um complexo que vai muito além da casa exibida na TV. Segundo Suellen, pelo menos quatrocentos profissionais atuam de forma direta e indireta, reunindo áreas como direção, roteiro, cenografia, figurino e tecnologia, setor da qual sua área faz parte.

“A casa é só um pedaço de um todo muito maior. É uma operação enorme, com muita gente trabalhando ao mesmo tempo para o programa acontecer”, explica.

A tecnologia, onde ela atuava, inclui operadores de câmera, diretores de imagem, assistentes de vídeo e áudio, além de sistemas que mantêm tudo no ar ininterruptamente.

Turnos longos e câmeras que não desligam

Por ser um programa exibido 24 horas por dia, a rotina é dividida em turnos. Cada equipe trabalha cobrindo manhã, tarde ou noite/madrugada.

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“A gente chega rendendo o turno anterior. É uma maratona: enquanto uns descansam, outros já estão prontos para assumir”, diz.

Suellen conta sobre os tipos câmeras presentes no BBB: tem as que ficam nos “trilhos”, localizadas atrás dos espelhos da casa e as fixas no alto dos cômodos, chamadas de câmeras-robôs. Esses equipamentos são controlados por meio de um controle joinstick, “muito parecido com controle de video-game”‘.

“As câmeras não param de gravar nunca, elas ficam conectadas por meio de fibra ótica. Durante quatro meses, ficam ligadas o tempo todo, cobrindo cada cômodo da casa. As imagens já vão sendo geradas para um sistema de armazenamento”, conta. “Chegando lá, profissionais específicos vão separando e categorizando tudo que será usado na edição dos programas, cortes de redes sociais, memes e figurinhas, por exemplo”.

Tudo preto, silêncio total e acesso restrito

Boa parte do trabalho de Suellen era feito nas câmeras de trilho, instaladas atrás dos espelhos da casa mais vigiada do Brasil. Segundo ela, o ambiente é completamente controlado para evitar qualquer reflexo ou interferência do “mundo exterior”.

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“Parede preta, chão preto, roupa preta e até touca ninja. Nada de celular, relógio ou crachá aparecendo. Tínhamos que ter esse cuidado para que nada pudesse refletir ou aparecer de alguma forma para os participantes lá dentro”, explica.

Em algumas situações, como provas ou ajustes técnicos próximos aos participantes, os operadores usam roupas especiais para não serem identificados.

“Eu ficava mais nas câmeras dos espelhos, mas também tem pessoas que ficam nas posições de rendição, que é aquela chave-coringa que vai ficar rendendo o amigo a cada 15 ou 20 minutos, para que as pessoas possam ir ao banheiro, beber uma água e poder voltar concentrado. Esses profissionais vão fazendo um rodízio com a gente durante todo o turno de trabalho”, conta a mineira.

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BBB’s esquecem que estão sendo filmados

Mesmo cercados por câmeras, os participantes acabam baixando a guarda. Para Suellen, isso é o que mantém o reality funcionando.

“As pessoas lá dentro esquecem que estão sendo filmados. Não tem como sustentar um personagem 24 horas por dia por quatro meses. Claro que as pessoas sabem os momentos em que estão sendo mais vistas, como prova do líder, prova do anjo, no ao vivo, mas no dia a dia, é impossível manter uma pose artificial”, destaca.

Essa naturalidade, segundo ela, é o que diferencia os momentos que rendem memes, discussões e grandes viradas no jogo.

Bastidores que viram meme

Quem opera as câmeras do BBB também acompanha cenas inusitadas antes mesmo de viralizarem nas redes sociais. Suellen lembra de momentos que marcaram as edições em que ela estava trabalhando.

“Teve as desistências do programa, a do Tiago Abravanel, em 2022, a da Vanessa Lopes em 2024. Seguir as pessoas pela casa, sabendo que vão apertar o botão, foi muito louco, dá uma adrenalina”, lembra.

Suellen contou também que testemunhou muitas tretas. “Uma vez, os participantes estavam se preparando pra fazer uma publicidade para uma marca de higiene no banheiro, eu ligada concentrada com a câmera, de repente, do nada começou uma treta lá no fundo do banheiro, fui eu correndo pra mudar o foco da câmera”.

A operadora de câmera recorda a primeira edição em que esteve nos bastidores do BBB, a edição de 2022 na qual Artur Aguiar saiu campeão. O elenco ainda contava com outros camarotes de peso como Jade Picon, Paulo André, Pedro Scooby, Bruna Gonçalves, Naiara Azevedo, Douglas Silva e Linn da Quebrada.

“O Pedro Scooby era uma fábrica de fazer memes. Até quando ele não falava nada, que ele dava aquela travada, a famosa tela azul, era engraçado. Ele começava a contar alguma história para o PA (Paulo André) e Douglas Silva e do nada, ele travava. Não é atoa que isso virou um quadro da edição durante a exibição dos programas”, diz.

Apesar do silêncio obrigatório no ambiente técnico em que trabalhava, Suellen admite que o envolvimento com o que ocorre na casa é inevitável. “Muitas vezes, temos que nos controlar pra não rir em voz alta. É tudo muito louco e muito surreal. Mais louco do que trabalhar no BBB, eu imagino, que só entrando na casa mesmo”, disse.

Fora do BBB, outros palcos

Depois de quatro edições do reality, Suellen decidiu não integrar a equipe neste ano para ampliar a experiência em outras áreas da Globo. Hoje, atua principalmente no esporte, com transmissões do SporTV, Premiere e eventos do Multishow.

“O BBB exige dedicação total por quatro meses. Desta vez, quis abrir espaço para outros projetos e aprender mais dentro da empresa”, explica.

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Kellen Lanna

Jornalista graduada pela UFSJ. Supervisora de distribuição na 98 FM/ 98 News.

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