Nova Lima inicia neste sábado (17/1) a vacinação piloto contra a dengue com o novo imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. Em entrevista exclusiva à 98 News, o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Éder Gatti, confirmou que Nova Lima, na Grande BH, será um dos três únicos municípios brasileiros a receber as primeiras doses, ao lado de Botucatu (SP) e Maranguape (CE).
O Ministério da Saúde prevê ampliar a vacinação contra a dengue para todos os municípios brasileiros a partir do segundo semestre, com a entrada em escala da produção do novo imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. Éder Gatti explicou que o avanço depende da ampliação da capacidade produtiva, viabilizada por uma parceria internacional.
“A gente sabe que precisamos de escala, precisamos de muito mais vacina, considerando que a dengue é um problema nacional”, afirmou. Segundo ele, o Ministério da Saúde firmou um acordo de transferência de tecnologia com um laboratório parceiro da China, que produzirá as doses exclusivamente para o Brasil. “A nossa expectativa é que ao longo de 2026 a gente tenha o recebimento de 30 a 40 milhões de doses. Esse laboratório tem capacidade produtiva de até 60 milhões”, detalhou.
Atualmente, a produção nacional ainda é limitada. De acordo com Gatti, o Butantan produziu cerca de 1,3 milhão de doses, quantidade suficiente apenas para estratégias iniciais e estudos pilotos. “É o que nós temos no momento. Mas a gente espera que, mais precisamente no meio do ano, ao longo do segundo semestre, a gente tenha acesso a esse quantitativo maior”, disse.
Vacina é parte da estratégia, não solução isolada
O diretor do PNI reforçou que a vacinação é uma ferramenta adicional no combate à dengue, mas não substitui outras medidas. “A vacina é mais uma tecnologia para proteger as pessoas, mas a gente precisa continuar com as ações de eliminação do mosquito vetor”, ressaltou.
Nesse contexto, ele destacou o investimento federal na tecnologia Wolbachia, que consiste na liberação de mosquitos infectados com uma bactéria que impede a transmissão do vírus. “Essa bactéria não mata o mosquito, mas impede que ele carregue o vírus e o transmita às pessoas”, explicou, lembrando que a estratégia vem sendo ampliada para mais municípios com apoio financeiro do governo federal.
Por que Nova Lima foi escolhida
Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, integra o grupo restrito de municípios selecionados para a vacinação piloto. A escolha levou em conta o porte populacional, entre 100 mil e 200 mil habitantes, e a presença de instituições capazes de avaliar os impactos da imunização em larga escala.
“A gente sabe que a vacina é muito segura e protege o indivíduo, mas queremos avaliar também o efeito coletivo, o chamado efeito rebanho”, afirmou Gatti. A proposta é medir qual percentual da população precisa ser vacinado para interromper a circulação do vírus e proteger inclusive quem não recebeu a dose.
Em Minas Gerais, a seleção de Nova Lima foi orientada por pesquisadores do Instituto René Rachou, da Fiocruz. “Foi uma sugestão deles para que a gente pudesse avaliar como a doença vai se comportar do ponto de vista social e epidemiológico após a introdução da vacina”, disse o diretor.
Cobertura e acompanhamento do estudo
Para o município, o Ministério da Saúde disponibilizou doses suficientes para vacinar ao menos 80% da população entre 15 e 59 anos. Segundo Gatti, caso a adesão seja maior, o governo federal poderá ampliar a oferta. “Se o município perceber que vacinou esses 80% e a população quiser avançar até 100%, o Ministério está à disposição”, afirmou.
O estudo em Nova Lima terá acompanhamento prolongado. Após a vacinação, os dados de vigilância epidemiológica serão monitorados de forma intensificada por pelo menos dois anos, abrangendo esta e a próxima temporada de dengue. “Com esse período, a gente espera poder avaliar o efeito coletivo da vacinação e entender como a ocorrência da dengue vai se comportar no município”, concluiu.
