A vitória de O Agente Secreto e de Wagner Moura no Globo de Ouro neste domingo (11/1), colocou o cinema brasileiro em evidência no início da temporada internacional de premiações. O resultado amplia a visibilidade do filme dirigido por Kleber Mendonça Filho justamente no momento em que se inicia a votação para o Oscar.
Segundo o jornalista e colunista da 98 News Rodrigo James, que acompanhou a cerimônia, o Globo de Ouro exerce hoje um papel diferente do passado. O prêmio passou por uma reestruturação nos últimos anos, ampliou seu colégio eleitoral e incorporou votantes de diversos países, o que aumentou seu peso dentro da indústria. “Hoje, quem vai votar no Oscar passa a prestar atenção nos vencedores do Globo de Ouro, porque muitos ainda estão escolhendo o que assistir”, explicou.
O principal impacto da premiação, segundo James, não é garantir indicações automáticas, mas gerar visibilidade. O corpo de votantes do Oscar é formado por profissionais da indústria, como atores, diretores e produtores, enquanto o Globo de Ouro é decidido por jornalistas internacionais. Ainda assim, o reconhecimento no Globo de Ouro faz com que os filmes entrem no radar de quem vota na Academia justamente no período mais decisivo da campanha.
Segundo James, Wagner Moura tem o papel central na visibilidade do filme. Para ele, o ator brasileiro já construiu uma trajetória sólida em produções internacionais, especialmente após a série Narcos, e hoje é um rosto conhecido em Hollywood. Para James, isso diferencia O Agente Secreto de outras produções brasileiras recentes, como o filme Ainda estou aqui. “Mesmo que alguém não saiba quem é Kleber Mendonça ou não conheça o filme, sabe quem é o Wagner Moura. Ele carrega o projeto junto com ele.”
A presença consolidada de Moura no mercado norte-americano facilita o acesso do filme a agentes, diretores e votantes. Além disso, o ator já atua de forma regular nos Estados Unidos e prepara seu primeiro trabalho como diretor em Hollywood, o que amplia ainda mais sua influência e rede de contatos na indústria.
O momento atual também reforça um movimento mais amplo do cinema brasileiro no exterior. A boa recepção internacional de produções recentes, como Ainda Estou Aqui no ano passado, abriu espaço para que Hollywood olhe o Brasil não apenas como fornecedor de filmes pontuais, mas como um mercado com diversidade de histórias e talentos. Esse efeito, segundo James, se acumula e cria uma base mais sólida para novas campanhas.
Esse interesse não se limita aos protagonistas. Integrantes do elenco de O Agente Secreto já começam a chamar atenção de nomes importantes da indústria internacional, o que pode gerar convites e projetos futuros.