Um médico que participou da autópsia de Diego Maradona afirmou nesta semana que o ex-jogador poderia ter apresentado melhora significativa em até 48 horas caso tivesse recebido tratamento com diuréticos antes de morrer.
O depoimento foi dado pelo intensivista Mario Schiter durante o julgamento que investiga a atuação da equipe médica responsável pelo acompanhamento de Maradona nos últimos dias de vida.
Médico relatou excesso de líquido no corpo
Segundo Schiter, o ex-jogador apresentava acúmulo de líquidos em diferentes partes do corpo quando morreu, em novembro de 2020.
“Ele tinha líquido no pericárdio, na pleura e no abdômen”, afirmou o médico durante a audiência realizada em San Isidro, na região metropolitana de Buenos Aires.
De acordo com o especialista, pacientes com esse quadro costumam responder rapidamente ao uso de diuréticos em unidades de terapia intensiva.
“Com um diurético, em aproximadamente 48 horas ele deveria estar francamente melhor”, declarou.
Julgamento apura possível responsabilidade da equipe médica
Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, após sofrer um edema pulmonar e uma parada cardiorrespiratória. O ídolo argentino estava em internação domiciliar depois de passar por uma neurocirurgia semanas antes.
Sete profissionais de saúde são acusados de homicídio com dolo eventual, quando há entendimento de que os envolvidos assumiram o risco de provocar a morte. As penas podem chegar a 25 anos de prisão.
O principal acusado é o neurocirurgião Leopoldo Luque, médico particular de Maradona.
Audiência teve tumulto após exibição de vídeo
A sessão desta semana também foi marcada por um episódio de tensão no tribunal.
Durante a audiência, Leopoldo Luque exibiu imagens da autópsia de Maradona sem aviso prévio. Uma das filhas do ex-jogador, Gianinna Maradona, estava presente e deixou o local aos gritos após a reprodução do vídeo.
Segundo relatos da imprensa argentina, ela chamou o médico de “filho da puta” ao sair da sala.
O julgamento atual é o segundo relacionado à morte de Maradona. O primeiro processo foi anulado em 2025 após denúncias envolvendo uma juíza que participaria de um documentário clandestino sobre o caso.