O Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) relançou a campanha “Por uma Ministra Negra no STF” após a abertura de uma nova vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A mobilização voltou a ganhar força no dia 13 de maio, data escolhida pelo movimento para reforçar críticas ao que classifica como uma “abolição inconclusa” no Brasil.
Com o slogan “Ministra Negra 2026 – Indicação é Reparação”, a campanha pressiona o governo federal para indicar, pela primeira vez na história, uma mulher negra para ocupar uma cadeira na Suprema Corte.
Movimento fala em reparação histórica
Em manifesto divulgado pelo IDPN, a entidade afirma que a ausência de uma mulher negra no STF ao longo dos 135 anos de existência do tribunal não ocorre por falta de qualificação, mas por ausência de vontade política.
Segundo o documento, o Brasil possui juristas negras “plenamente qualificadas” para assumir o cargo. O texto também defende que uma eventual indicação representaria um gesto de reparação histórica por parte do Estado brasileiro.
O diretor executivo do instituto, Joel Luiz Costa, relacionou a campanha ao debate sobre políticas reparatórias no país.
“As políticas de cotas são apenas uma parcela dessa dívida. A indicação da primeira ministra negra no STF é o próximo passo concreto e inadiável desse processo”, afirmou.
Mobilizações ocorreram em três capitais
As ações da campanha ocorreram simultaneamente em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.
Na capital federal, ônibus com faixas da campanha circularam pela Esplanada dos Ministérios e pelo Plano Piloto. Também foram instalados cartazes em viadutos e tesourinhas.
No Rio de Janeiro, as faixas foram espalhadas em pontos da Avenida Brasil e da Rocinha. Já em São Paulo, a mobilização contou com apoio do Instituto Lamparina, com cartazes fixados em áreas centrais da cidade.
Campanha ganhou repercussão em 2023
O movimento teve projeção nacional em 2023, durante discussões sobre possíveis indicações ao STF feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, a campanha volta a pressionar o governo após a abertura de uma nova vaga na Corte.