De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, esse grupo trabalha, em média, 45 horas por semana, mais de cinco horas acima da carga horária média de empregados do setor público e privado.
A média geral de horas trabalhadas no país ficou em 39,2 horas semanais no primeiro trimestre de 2026.
Motoristas e entregadores por aplicativo estão entre os exemplos
O IBGE considera trabalhador por conta própria quem atua no próprio negócio, sozinho ou com sócio, sem empregados fixos.
Entre os exemplos mais comuns estão motoristas e entregadores de aplicativos, além de vendedores autônomos e prestadores de serviço.
Segundo o levantamento, o Brasil tem atualmente 25,9 milhões de trabalhadores nessa condição, o equivalente a 25,5% da população ocupada.
Falta de proteção trabalhista influencia carga horária
Para o analista da pesquisa, William Kratochwill, a diferença nas jornadas está relacionada à ausência de limites previstos na legislação trabalhista.
Enquanto empregados contratados seguem regras da Consolidação das Leis do Trabalho, trabalhadores autônomos não possuem restrições formais de carga horária.
“Se quiser trabalhar 24 horas por dia, ele pode, não tem nada que o impeça, a não ser a sua própria limitação”, afirmou.
Segundo ele, empregados formais e informais acabam seguindo padrões próximos aos definidos pela CLT, que estabelece jornada máxima de 44 horas semanais.
Trabalhadores sem equipe tendem a trabalhar mais
O analista também destacou que trabalhadores por conta própria costumam assumir todas as funções da atividade, sem possibilidade de dividir tarefas.
“Como não tem a quem delegar, provavelmente tem que trabalhar muito mais horas por semana para alcançar seus objetivos”, explicou.
Já entre empregadores, a jornada média foi menor: 37,6 horas semanais.
Debate sobre redução da jornada avança no Congresso
A divulgação dos dados ocorre em meio às discussões sobre mudanças na jornada de trabalho no Brasil.
Atualmente, tramitam no Congresso Nacional propostas que preveem a redução da carga semanal de 44 para 40 horas e o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de folga por semana.
Na quarta-feira (13), representantes do governo federal e da Câmara dos Deputados fecharam um acordo para avançar com propostas que estabelecem a escala 5×2, sem redução salarial.