Entre condomínios de luxo e áreas remanescentes de mata em Nova Lima, uma onça-parda foi flagrada circulando nas proximidades da Rua das Constelações, no Vale dos Cristais. O registro reacende o debate sobre preservação ambiental em uma região marcada pela expansão imobiliária.
A área funciona como corredor ecológico entre regiões como a Mata da Baleia, a Serra do Rola-Moça e a Serra da Moeda, permitindo o deslocamento de diferentes espécies da fauna silvestre.
Segundo a bióloga e professora universitária Fernanda Raggi, a presença desses animais próximos às áreas urbanizadas mostra que eles ainda reconhecem esses territórios como parte do habitat natural, apesar da fragmentação causada pela ocupação urbana.
“Quando esses animais começam a aparecer nas zonas urbanas, isso para gente é um alerta de que essas áreas foram interrompidas. Ele não gosta, mas está ali desnorteado em busca de novas áreas mais seguras de alimento e em busca da rota que ele já fazia antes”, explica Raggi.
Para a professora do curso de arquitetura e urbanismo da Estácio BH, Liliane Cruz, o cenário de forte expansão imobiliária da região exige estudos rigorosos antes da implantação de novos empreendimentos: “Em regiões como Nova Lima existe sempre um grande desafio, que é conciliar esse crescimento com a preservação dos corredores ecológicos.”
A urbanista alerta que cidades que avançam sobre áreas de mata, serras e cursos d’água sem planejamento adequado tendem a enfrentar aumento dos conflitos entre ocupação urbana e fauna silvestre.
“A consequência é que sempre vai ter um conflito entre os humanos e a nossa fauna. Quanto mais tiver essas ocupações, mais isso vai aumentar.”
A legislação ambiental brasileira prevê regras para empreendimentos em áreas de vegetação nativa, incluindo medidas de compensação ambiental e exigências no processo de licenciamento. Fernanda Raggi reforça a importância do cumprimento dessas normas em obras próximas a áreas de preservação.
“Se a gente quer conviver nessas áreas naturais, precisamos respeitar esses animais. É fundamental preservar essas regiões e avaliar com rigor os projetos de licenciamento ambiental.”
Apesar do flagrante, não houve registro de incidentes envolvendo moradores ou animais domésticos.
