O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) aparece como um dos responsáveis pela gestão financeira e pelo orçamento do filme biográfico “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação consta em contrato obtido pelo portal The Intercept Brasil.
Segundo a reportagem, o documento foi firmado em novembro de 2023 e assinado por Eduardo Bolsonaro em janeiro de 2024. O contrato aponta a produtora norte-americana GoUp Entertainment como responsável pela obra e coloca Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL) como produtores-executivos do projeto.
De acordo com o texto, os dois atuariam diretamente em questões ligadas ao financiamento, orçamento e captação de recursos do filme.
O contrato prevê participação dos produtores-executivos em “considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme” e também na “preparação de informações e documentação para investidores”, além da busca por patrocínios, incentivos fiscais e outras formas de financiamento.
Filme entrou na mira após repasses de Vorcaro
O caso ganhou repercussão após o The Intercept revelar que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a produção.
Segundo a publicação, os valores teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Conversas e áudios divulgados pelo portal mostram Flávio cobrando repasses de Vorcaro ligados ao financiamento do longa.
A investigação aponta que os pagamentos teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025, em ao menos seis operações financeiras. O valor negociado, segundo o site, poderia chegar a R$ 134 milhões.
Eduardo nega recebimento de dinheiro
Na última quinta-feira (15), Eduardo Bolsonaro negou ter recebido qualquer valor oriundo dos repasses feitos por Vorcaro.
“A história que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Meu status migratório não permitiria. Se isso tivesse acontecido, o próprio governo americano me puniria”, afirmou.
Mesmo assim, a Polícia Federal (PF) investiga se parte dos recursos destinados ao filme teria sido usada, de forma indireta, para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
PF apura possível financiamento de articulações nos EUA
Segundo as investigações, a PF também tenta identificar se recursos ligados ao filme ajudaram a financiar articulações políticas e lobby de Eduardo Bolsonaro junto a integrantes do governo Donald Trump.
Uma das linhas investigativas apura se os recursos poderiam ter sido usados em ações relacionadas ao chamado “tarifaço” contra produtos brasileiros, além de movimentações ligadas à revogação de vistos e à aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.
O filme “Dark Horse” tem previsão de lançamento para setembro deste ano. O ator norte-americano Jim Caviezel foi escolhido para interpretar Jair Bolsonaro na produção.