A tenista paralímpica mineira Vitória Miranda, atual número 1 do Brasil na modalidade em cadeira de rodas, enfrenta um grave prejuízo profissional às vésperas de sua estreia em um torneio internacional em Madri, na Espanha. Duas malas da atleta de Belo Horizonte foram extraviadas durante o trajeto operado pelas companhias aéreas Latam e Iberia, que partiu do Aeroporto de Confins, passou por Guarulhos e seguiu para a Europa. A bagagem continha raquetes de tênis, uniformes, suplementos e medicamentos de uso contínuo fundamentais para o desempenho da esportista de 18 anos.
Eleita pela Federação Internacional de Tênis (ITF) como a melhor jogadora juvenil do mundo em 2025, Vitória se preparava para iniciar a competição em solo espanhol nesta terça-feira (19 de maio). Os pontos em disputa nesta semana são cruciais no planejamento da atleta para conquistar uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. Diante do sumiço do material técnico e do silêncio das operadoras do voo compartilhado, a comissão técnica precisou correr contra o tempo na tentativa de adquirir novos insumos comerciais para viabilizar a entrada da tenista em quadra.
“O sentimento é de impotência e de muita tristeza, porque ela se preparou muito para esses torneios que são muito importantes para seu desenvolvimento e para o seu ranking. Estamos comprando os materiais para que ela jogue, mas os remédios e os suplementos nós não vamos conseguir”, lamentou o treinador Leo Butija.
Cobrança por assistência adequada e aplicação de regras internacionais
O caso ganhou forte repercussão nas redes sociais após a veiculação de uma nota conjunta publicada pelo perfil oficial da atleta com a advogada Luciana Atheniense, especialista em direito do turista. A postagem cobra responsabilidade solidária entre as companhias parceiras e destaca o descumprimento da Resolução 280 da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A norma técnica, enfim, estipula que as empresas aéreas devem assegurar prioridade no atendimento e assistência minuciosa às Pessoas com Deficiência (PcD).
Em seu posicionamento técnico, Luciana Atheniense, portanto, repudiou o tratamento dispensado à delegação brasileira no continente europeu e classificou o episódio como um desrespeito ao planejamento esportivo nacional. “Não podemos tolerar esse descaso. É um sonho da Vitória e um orgulho para todos nós. Latam e Iberia, vocês têm a obrigação de encontrar as malas da Vitória”, declarou a advogada.
Até o fechamento desta reportagem, a equipe técnica informou que mantinha contatos diários com os guichês de reclamação da Iberia e da Latam na Espanha, contudo, as empresas informaram que ainda não rastrearam a localização das malas. Vitória Miranda acumula no currículo os títulos juvenis de simples e duplas do Aberto da Austrália e de Roland Garros conquistados na temporada passada. O estafe da jovem tenista mantém a mobilização para que as companhias localizem os equipamentos com urgência antes do início das fases eliminatórias do circuito.
