A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, completou seis meses nesta segunda-feira (18/5) com R$ 27,7 bilhões em bens bloqueados ou sequestrados pela Justiça. A investigação apura uma possível fraude bilionária ligada ao Banco Master e tem como principal alvo o banqueiro Daniel Vorcaro.
Desde novembro de 2025, a operação já teve seis fases, 21 prisões temporárias ou preventivas decretadas e 116 mandados de busca e apreensão expedidos. As medidas foram cumpridas na Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
O que a PF investiga no caso Master?
A investigação começou em 2024, a pedido do Ministério Público Federal. Segundo a Polícia Federal, o grupo ligado a Daniel Vorcaro teria atuado em um esquema de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro.
Esses ativos teriam sido vendidos ao Banco de Brasília. Após fiscalização do Banco Central, os títulos teriam sido substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
A apuração também mira suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos, favorecimento político, intimidação de desafetos e vazamento de informações sigilosas.
Minas aparece em diferentes fases da operação
Minas Gerais esteve entre os estados com mandados cumpridos ao longo da Compliance Zero. Um dos episódios ligados ao estado ocorreu na terceira fase, quando Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como chefe de um grupo chamado “A Turma”, foi detido em Belo Horizonte.
Segundo a PF, “A Turma” seria uma espécie de milícia particular usada para intimidar desafetos de Daniel Vorcaro. Mourão foi encontrado desacordado em uma cela da Superintendência da Polícia Federal em BH e morreu após ser levado ao hospital. A PF afirma que ele tentou se suicidar.
Operação também atingiu políticos e agentes públicos
A investigação avançou sobre relações do Banco Master com políticos, servidores públicos e agentes da própria Polícia Federal.
Na quinta fase, o senador Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão. Segundo a PF, ele é suspeito de atuar politicamente em favor de interesses de Daniel Vorcaro. O parlamentar nega irregularidades.
Na sexta fase, o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso. A PF afirma que ele participava do gerenciamento de “A Turma”. Também foi preso um policial federal suspeito de repassar informações sigilosas sobre investigações em andamento ao banqueiro.
Banco Central liquidou instituições do grupo
Em meio às investigações, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master, como o Banco Master de Investimento, Letsbank, Master Corretora de Câmbio, Will Financeira e Banco Pleno.
O BC também tornou indisponíveis bens de controladores e ex-administradores do grupo e decretou Regime Especial de Administração Temporária do Banco Master Múltiplo.
Segundo a Agência Brasil, o Fundo Garantidor de Créditos já gastou cerca de R$ 49,5 bilhões para ressarcir clientes do Grupo Master, Will Bank e Banco Pleno.
Caso Dark Horse entrou na mira política
Na última semana, reportagens do Intercept Brasil revelaram áudios em que o senador Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio admitiu a autenticidade dos áudios e disse que não cometeu irregularidade. Segundo o Intercept, Vorcaro teria acertado repasse de R$ 134 milhões à produção, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados. O caso motivou pedidos de investigação sobre a origem e o uso dos recursos.
O que acontece agora?
A Polícia Federal segue investigando a extensão do suposto esquema, a participação de agentes públicos, operadores financeiros e pessoas próximas a Daniel Vorcaro.
A Compliance Zero já é tratada como uma das maiores investigações sobre fraude no Sistema Financeiro Nacional no país.
