O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inaugurou, nesta segunda-feira (18), quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sírius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). As novas estruturas ampliam a capacidade de pesquisa em áreas como saúde, energia, nanotecnologia, agricultura, clima e desenvolvimento de novos materiais.
Com investimento total de R$ 230 milhões, sendo R$ 30 milhões do Novo PAC, as novas linhas receberam os nomes de Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. O Sírius passa agora a operar com 15 linhas em funcionamento e integra o grupo restrito de países que dominam a tecnologia de luz síncrotron de quarta geração.
Ministra diz que Sírius coloca Brasil em “outro patamar científico”
Durante o evento, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou que o laboratório representa um marco para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
“Esse é um daqueles momentos em que a ciência brasileira se transforma em símbolo de um projeto nacional de desenvolvimento”, afirmou.
Segundo a ministra, o Sírius permitiu que pesquisadores brasileiros deixassem de depender de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em áreas estratégicas.
“Antes do Sírius, pesquisadores e pesquisadoras brasileiras dependiam de laboratórios estrangeiros para realizar estudos avançados em materiais, proteínas, vírus e tecnologias estratégicas, o que atrasava pesquisas e limitava profundamente a capacidade do Brasil de produzir conhecimento em áreas fundamentais para o desenvolvimento nacional”, declarou.
Luciana Santos também destacou que o Brasil passou a integrar um grupo “extremamente restrito e seleto” de países com domínio da tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração.
A ministra ainda afirmou que mais de 80% dos componentes utilizados na estrutura foram produzidos no Brasil e associou a importância do projeto ao enfrentamento da pandemia de Covid-19.
“Precisamos virar a página do negacionismo, porque o negacionismo mata e é por isso que a gente tá aqui defendendo a ciência brasileira”, disse.
Segundo ela, cientistas brasileiros utilizaram o Sírius durante a pandemia para analisar proteínas do coronavírus e avançar em pesquisas sobre potenciais medicamentos e soluções biomédicas.
Lula diz que investimento em ciência garante soberania nacional
No discurso, Lula afirmou que o Brasil precisa abandonar o pensamento de que investimentos científicos são caros e destacou que o retorno para o país será maior do que o valor aplicado.
“A verdade é que a gente não tem que perguntar quanto custa, porque qualquer quantidade de milhões que colocarmos é muito pequena diante da quantidade de milhões que isso aqui vai render para o futuro do país e para o futuro da sociedade brasileira”, afirmou.
O presidente também defendeu maior investimento na formação de pesquisadores, engenheiros, matemáticos e especialistas em inteligência artificial.
“A gente precisa formar muito mais pesquisador, muito mais matemático, muito mais engenheiro, muito mais gente especialista em inteligência artificial”, declarou.
Segundo Lula, o fortalecimento da ciência é fundamental para garantir autonomia tecnológica e soberania nacional.
“Nessas coisas que a formação faça com que o Brasil ganhe uma autonomia diante do mundo e possa defender com altivez a soberania nacional”, afirmou.
Governo anuncia novos investimentos no complexo científico
Durante o evento, o governo federal também destacou o avanço da segunda fase do Sírius, que contará com mais de R$ 800 milhões em investimentos do Novo PAC.
Luciana Santos anunciou ainda o avanço do projeto Orion, considerado uma das iniciativas mais ambiciosas da ciência brasileira. O complexo terá investimento previsto de R$ 1,4 bilhão e abrigará o primeiro laboratório NB4 da América Latina, voltado ao estudo de vírus de alta periculosidade.
Segundo a ministra, o espaço será integrado ao Sírius e permitirá pesquisas inéditas na região em biossegurança máxima.