O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, será ouvido nesta terça-feira (19/5) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado em meio à crise envolvendo o Banco Master. A expectativa entre parlamentares é de que a audiência seja dominada por questionamentos sobre a liquidação da instituição financeira e possíveis falhas de supervisão durante a gestão de Roberto Campos Neto no comando do BC.
A participação de Galípolo ocorre em um momento de forte pressão política sobre o Banco Central, após o avanço das investigações relacionadas ao Master e à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
Caso Banco Master deve dominar audiência
Segundo integrantes da CAE, senadores devem concentrar perguntas sobre:
- a condução do Banco Central diante da crise do Master;
- a fiscalização da instituição financeira;
- a atuação da antiga diretoria do BC;
- e eventuais omissões na gestão de Roberto Campos Neto.
A audiência também deve abordar as providências tomadas pelo Banco Central em relação ao BRB, banco público ligado ao Governo do Distrito Federal.
Galípolo evitou responsabilizar Campos Neto
Em abril, durante participação na CPI do Crime Organizado, Gabriel Galípolo adotou tom cauteloso ao comentar o caso. na ocasião, ele afirmou: “Não há nenhum processo de auditoria ou sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos Neto.”
Depois, ao ser pressionado sobre uma possível atuação de Campos Neto para evitar intervenção ou liquidação do Banco Master, Galípolo voltou a defender as conclusões internas do BC. “A sindicância que foi feita não encontrou nada nesse sentido.”
As declarações geraram desconforto dentro do Palácio do Planalto.
Governo Lula quer marca própria no BC
Segundo bastidores divulgados pela CNN Brasil, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que Galípolo precisa reforçar a identidade da nova gestão no Banco Central e reduzir a percepção de continuidade em relação à administração de Roberto Campos Neto.
Aliados do governo consideraram negativas as falas em defesa da antiga diretoria da autoridade monetária, principalmente porque Lula construiu parte de seu discurso recente criticando:
- a política de juros elevados;
- a condução monetária do BC;
- e a autonomia da instituição durante a gestão anterior.
Apesar disso, integrantes do governo reconhecem reservadamente que Galípolo tenta preservar a imagem técnica e institucional do Banco Central em meio à crise.
Operação Compliance Zero ampliou pressão
O caso ganhou novos desdobramentos após a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser preso em março deste ano e atualmente responde a investigações sobre:
- irregularidades financeiras;
- lavagem de dinheiro;
- e articulações envolvendo a tentativa de compra do Master pelo BRB.
O episódio aumentou a pressão política sobre o Banco Central e ampliou cobranças por explicações sobre o acompanhamento da instituição financeira nos últimos anos.
Audiência ocorre em meio a desgaste político
A ida de Galípolo ao Senado acontece em meio ao aumento da repercussão política do caso Master, que também passou a impactar o cenário eleitoral de 2026 após vazamentos envolvendo figuras da direita nacional.
A expectativa é de uma sessão marcada por cobranças tanto da oposição quanto de parlamentares governistas sobre transparência, fiscalização bancária e responsabilidades dentro do Banco Central.
