A Prefeitura de Nova Lima informou que vai multar a Copasa pela poluição do Córrego dos Fechos, no bairro Jardim Canadá. O valor da infração será definido após a conclusão de um relatório técnico sobre a área de responsabilidade da companhia.
Moradores da região denunciaram a poluição do córrego, que se estende até Macacos, distrito de Nova Lima, a parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Atualmente, o manancial abastece cerca de 280 mil moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Denúncias chegaram à Assembleia Legislativa
A deputada estadual Ana Paula Siqueira (PT) apresentou um requerimento na Assembleia pedindo esclarecimentos à Vale, que atua na região com a Barragem B6, ligada à Mina Mar Azul, e também à Copasa, responsável pela Estação de Tratamento de Esgoto vinculada ao Jardim Canadá.
Segundo a parlamentar, moradores relataram a presença de rejeitos de mineração e desvio de esgoto no córrego.
“Infelizmente a gente tem recebido várias denúncias de esgoto clandestino que está sendo despejado nesta água, restos de tratamento da Copasa que está sendo despejado nessa água e agora o morador nos acionou porque ele identificou que existem vestígios ali de resto da água da mineração que também está sendo colocada dentro das águas do (Córrego) Fecho. Nós não vamos admitir que essa água fique contaminada. Por isso a nossa iniciativa de pronto de solicitar vários esclarecimentos sobre a qualidade dessa água, sobre o que está sendo despejado nela e se existe alguma medida ali para proteção desse território”, disse a deputada.
O Ministério Público de Minas Gerais também foi acionado para apurar a atuação da Vale e da Copasa na região, devido à importância ambiental e hídrica do Córrego dos Fechos.
O que dizem Vale e Copasa
Em nota enviada à Rede 98, a Vale informou que a ocorrência “não tem relação com suas operações na região e que efluentes provenientes de áreas externas passam pelos terrenos da empresa. A mineradora afirmou ainda que mantém monitoramentos ambientais contínuos e controles rigorosos nas áreas em que atua”.
A companhia informou também que, “assim que receber o requerimento da Assembleia, encaminhará os resultados do monitoramento da qualidade da água enviados periodicamente ao órgão ambiental”.
Já a Copasa informou que foi acionada em 8 de maio após denúncias de espuma excessiva associada à turbidez no córrego. Segundo a empresa, após vistoria técnica, “não foram identificados vazamentos, obstruções ou quaisquer anormalidades no sistema oficial que pudessem justificar as alterações observadas”.
A companhia acrescentou que “ainda existem propriedades sem ligação da rede de esgoto ao sistema oficial e que é necessária uma atuação conjunta com o poder concedente para viabilizar essas conexões”. A empresa também citou a possibilidade de existência de ligações clandestinas de esgoto na região.
Prefeitura responsabiliza Copasa
A Prefeitura de Nova Lima reforçou a responsabilização da Copasa e afirmou que cabe à companhia “identificar e adotar as medidas necessárias para regularizar redes clandestinas ou imóveis sem ligação adequada à rede pública de esgotamento sanitário”.
Segundo o município, a prefeitura atua de forma complementar, com ações de orientação e conscientização da população para combater irregularidades e ampliar a adesão à rede de esgoto, contribuindo para a preservação ambiental e a saúde pública.
A administração municipal destacou ainda que, somente em 2025, foram aplicadas sete multas relacionadas a irregularidades ambientais, que somam R$ 3,7 milhões, envolvendo descumprimento de normas operacionais, lançamentos irregulares e outras inconformidades técnicas.
