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Secretária diz que greve da educação em BH virou ‘briga entre sindicatos’ e pede retorno às salas de aula

Por

Larissa Reis

Larissa Reis
  • 20/05/2026
  • 07:55

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secretária de educação
Em entrevista à rádio 98 News, ela disse que “o prejudicado não pode ser o aluno” e apelou para que os professores retomem as atividades (98 News)

Em entrevista à rádio 98 News, ela disse que “o prejudicado não pode ser o aluno” e apelou para que os professores retomem as atividades (98 News)

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A secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Natália Araújo, afirmou nesta quarta-feira (20/5) que o impasse da greve da rede municipal de ensino está ligado a uma “disputa entre sindicatos” e não a questões salariais. Em entrevista à rádio 98 News, ela disse que “o prejudicado não pode ser o aluno” e apelou para que os professores retomem as atividades.

A declaração ocorre após os profissionais da educação decidirem manter a paralisação, que já dura 22 dias. A categoria cobra recomposição salarial, melhorias nas condições de trabalho e mais transparência sobre vagas nas escolas.

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Segundo a secretária, o principal ponto de conflito envolve a mudança no modelo de contratação dos profissionais de apoio que acompanham estudantes com deficiência na rede municipal. Atualmente, os trabalhadores são vinculados à MGS, mas a prefeitura pretende transferir a gestão para organizações da sociedade civil (OSCs) especializadas em educação inclusiva.

De acordo com Natália Araújo, a mudança busca melhorar a formação dos profissionais e reduzir a rotatividade enfrentada pelas famílias. Ela afirmou que os trabalhadores atualmente recebem cerca de R$ 1.700 líquidos e que, no novo modelo, os salários passariam para mais de R$ 2.700.

“A gente está diante de um impasse entre sindicatos”, declarou a secretária. “Numa briga entre sindicatos, o prejudicado não pode ser o aluno e a prejudicada não pode ser a família.”

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A chefe da pasta negou que a prefeitura esteja promovendo privatização da educação ou substituição de professores concursados por funcionários terceirizados. Segundo ela, a legislação municipal impede esse tipo de contratação.

“A nossa Lei Orgânica veda a substituição de professores para qualquer finalidade dentro das escolas municipais”, afirmou.

Ela também rebateu críticas de que a prefeitura estaria reduzindo o quadro de profissionais da educação especial. Segundo Natália, o número de professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) subiu de 96 para 447 durante a atual gestão.

Outro ponto destacado pela secretária foi a dificuldade de reposição constante de professores na rede. Segundo ela, aposentadorias e afastamentos frequentes exigem novas nomeações ao longo do ano. A prefeitura afirma ter nomeado 1.886 profissionais da educação desde 2025.

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Apesar de afirmar que seis das oito pautas prioritárias da categoria foram atendidas, a PBH mantém posição contrária à suspensão do novo modelo de contratação das OSCs, principal reivindicação do movimento grevista.

Sind-REDE contesta falas da secretária

Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE-BH) contestou as declarações da secretária Natália Araújo em entrevista à 98 News. Veja a nota na íntegra:

1.O reajuste real proposto é de apenas 4,11%, e não 6,51%

Diferente do que afirmou a secretária, a pauta salarial continua central. A proposta atual da Prefeitura para este ano é de um reajuste de apenas 4,11%. Os 2,4% pagos em janeiro deste ano não fazem parte da negociação atual. Tratam-se de uma conquista da greve anterior, paga com atraso, referente às perdas salariais acumuladas desde a gestão Kalil até o início do governo Fuad. Nossa reinvindicação salarial tem como centro o índice de reajuste anual estabelecido pela Lei do Piso do Magistério, que este ano foi de 5,4%. Além de 15% para recomposição de parte das perdas acumuladas nos últimos anos. A greve vai muito além do salário e engloba também condições dignas de trabalho e a defesa da qualidade do ensino.

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      2. Mudanças na Educação Infantil não são ‘fake news’

      A secretaria alterou o funcionamento das escolas integrais da educação infantil. O integral sempre foi turno único neste ano foi instituído turno e contraturno, o mesmo modelo do fundamental onde o turno é com professor e o contra turno com monitores. Portanto, não há nenhuma fake news em prever que a mesma lógica seja implementada na educação infantil. Apontar o risco de desvalorização pedagógica na Educação Infantil baseia-se em uma mudança concreta já em curso.

        Entendemos como uma conquista importante a inclusão na Lei Orgânica do Município que o atendimento de todas as turmas da educação infantil em tempo integral será com professores concursados.

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        Este foi um dos poucos pontos concretos de avanço nas negociações.

        3. Nomeações tardias e falta de transparência no quadro de vagas

        A secretária alega que nomeou mais de mil professores do segundo semestre de 2025 até o momento, mas omite que a rede iniciou o ano em colapso. Até o mês de abril, havia escolas com déficit de até nove professores em um único turno. A gestão só nomeou 400 profissionais após a iminência da deflagração da greve.

          Para solucionar o impasse, o Sind-REDE/BH reivindica que a Prefeitura dê transparência e publique o quadro oficial de vagas das escolas. Isso nos permitiria checar se este número é suficiente ou não. A resposta da PBH foi implementar um monitoramento de 3 em 3 meses, mas não foi publicado o quadro de vagas. A promessa de fazer um monitoramento trimestral é insuficiente se os dados reais de vagas continuarem ocultos.

          4. Contratações de profissionais de apoio especializado por meio de contratos com OSCs

          A categoria tem uma posição contrária à terceirização, seja filantrópica ou com fins lucrativos. Mas nesta situação específica, entendemos que a elaboração do trabalho para atender os estudantes com deficiência ou neurodivergência deve ser feita por professores concursados, especificamente pelo professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE).

            Há apenas um professor de AEE por escola, que acaba sobrecarregado com o preenchimento de relatórios, não conseguindo dar conta das demais demandas. A defesa do Sind-REDE/BH é de que haja a garantia de ampliação desse quadro e que a responsabilidade pedagógica do planejamento das atividades com as crianças seja de profissionais concursados, ponto que vem sendo negado pela secretária de educação.

            Outra questão é a clareza sobre os processos de seleção dos profissionais pelas OSCs, após a entrada dos atuais trabalhadores de apoio que já estão nas escolas. Reivindicamos um processo publicizado, fiscalizável e com critérios claros, rejeitamos indicações de diretores de OSCs ou de vereadores de bairro, visto que são trabalhadores que atuarão em escolas públicas e pagos com dinheiro público.

            Por fim, defendemos que todos os contratos para o trabalho com estudantes com deficiência e neurodivergências sejam firmados com profissionais que tenham a devida formação e passem por um processo de contratação aberto, explícito e publicizado. E sejam, no mínimo, regidos pela CLT. Em nenhuma hipótese somos contrários a que familiares atípicos sejam contratados.

            5. Sobre o AEE, nossa reivindicação é fake news, trata-se de uma disputa sindical?

            Não é segredo que os trabalhadores em educação concursados e terceirizados são legalmente representados pelo Sind-REDE/BH. A PBH está fazendo uma disputa sindical com o Sind-REDE/BH?

              As alegações da secretária não se sustentam. Nossa greve é justa.

              O Sind-REDE/BH lamenta que a pauta do Atendimento Educacional Especializado (AEE) seja tratada pela Secretaria como mera “disputa sindical”.

              A categoria realiza nova assembleia na próxima sexta-feira (22/5), quando deve decidir sobre a continuidade da paralisação. Até o momento, não há nova rodada de negociação marcada entre a prefeitura e o SindRede.

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              Larissa Reis

              Larissa Reis

              Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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