A secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, Natália Araújo, afirmou nesta quarta-feira (20/5) que o impasse da greve da rede municipal de ensino está ligado a uma “disputa entre sindicatos” e não a questões salariais. Em entrevista à rádio 98 News, ela disse que “o prejudicado não pode ser o aluno” e apelou para que os professores retomem as atividades.
A declaração ocorre após os profissionais da educação decidirem manter a paralisação, que já dura 22 dias. A categoria cobra recomposição salarial, melhorias nas condições de trabalho e mais transparência sobre vagas nas escolas.
Segundo a secretária, o principal ponto de conflito envolve a mudança no modelo de contratação dos profissionais de apoio que acompanham estudantes com deficiência na rede municipal. Atualmente, os trabalhadores são vinculados à MGS, mas a prefeitura pretende transferir a gestão para organizações da sociedade civil (OSCs) especializadas em educação inclusiva.
De acordo com Natália Araújo, a mudança busca melhorar a formação dos profissionais e reduzir a rotatividade enfrentada pelas famílias. Ela afirmou que os trabalhadores atualmente recebem cerca de R$ 1.700 líquidos e que, no novo modelo, os salários passariam para mais de R$ 2.700.
“A gente está diante de um impasse entre sindicatos”, declarou a secretária. “Numa briga entre sindicatos, o prejudicado não pode ser o aluno e a prejudicada não pode ser a família.”
A chefe da pasta negou que a prefeitura esteja promovendo privatização da educação ou substituição de professores concursados por funcionários terceirizados. Segundo ela, a legislação municipal impede esse tipo de contratação.
“A nossa Lei Orgânica veda a substituição de professores para qualquer finalidade dentro das escolas municipais”, afirmou.
Ela também rebateu críticas de que a prefeitura estaria reduzindo o quadro de profissionais da educação especial. Segundo Natália, o número de professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) subiu de 96 para 447 durante a atual gestão.
Outro ponto destacado pela secretária foi a dificuldade de reposição constante de professores na rede. Segundo ela, aposentadorias e afastamentos frequentes exigem novas nomeações ao longo do ano. A prefeitura afirma ter nomeado 1.886 profissionais da educação desde 2025.
Apesar de afirmar que seis das oito pautas prioritárias da categoria foram atendidas, a PBH mantém posição contrária à suspensão do novo modelo de contratação das OSCs, principal reivindicação do movimento grevista.
A categoria realiza nova assembleia na próxima sexta-feira (22/5), quando deve decidir sobre a continuidade da paralisação. Até o momento, não há nova rodada de negociação marcada entre a prefeitura e o SindRede.
