O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (22) para manter a prisão preventiva do empresário Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Felipe foi preso no último dia 7 de maio durante mais uma fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
O julgamento acontecia no plenário virtual da Segunda Turma do STF, mas acabou suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que agora terá até 90 dias para devolver o processo para análise.
Também integram a Segunda Turma os ministros Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Mendonça aponta risco de continuidade do esquema
No voto, André Mendonça afirmou que há indícios de que Felipe Vorcaro teria mantido atividades consideradas suspeitas mesmo após o avanço das investigações da Polícia Federal.
Segundo o ministro, as apurações indicam que o empresário teria assumido parte da estrutura do suposto esquema após a prisão de Daniel Vorcaro.
“Os elementos colhidos aos autos também apontam para a realização recente, até o mês passado, de múltiplas operações e diligências determinadas por Felipe, a serem concretizadas pelo grupo de pessoas que lhe era subordinado, com vistas à intensificação das atividades de ocultação patrimonial”, escreveu Mendonça.
O ministro também afirmou que haveria risco de reiteração criminosa, ocultação de patrimônio e interferência nas investigações caso Felipe fosse solto.
“Esse conjunto de elementos concretos demonstra risco atual de reiteração delitiva, bem como a possibilidade de ocultação patrimonial e embaraço à instrução criminal”, afirmou.
PF aponta Felipe como integrante de núcleo operacional
Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça reproduziu trechos da investigação da Polícia Federal que apontam Felipe Vorcaro como integrante do chamado “núcleo financeiro-operacional” da suposta organização criminosa investigada no caso Master.
A defesa do empresário negou as acusações e afirmou “refutar veementemente” qualquer afirmação de que Felipe atuaria como operador financeiro de Daniel Vorcaro ou do Banco Master.
Os advogados também afirmaram que o empresário está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
Toffoli pode não participar do julgamento
Há dúvidas sobre a participação de Dias Toffoli na análise do caso.
O ministro se afastou da relatoria das investigações após serem reveladas conexões entre ele, o resort Tayayá e o Banco Master. Além disso, Toffoli já declarou suspeição “por motivo de foro íntimo” em outras decisões relacionadas ao caso.
Ele também não participou da análise da prisão de Daniel Vorcaro nem do pedido de criação de uma CPI para investigar o escândalo.
Investigação também atinge Ciro Nogueira
Na fase da operação que levou à prisão de Felipe Vorcaro, a Polícia Federal também cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira.
Segundo as investigações, o parlamentar teria recebido vantagens indevidas ligadas ao suposto esquema financeiro investigado pela PF.
Os investigadores apontam suspeitas de pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de despesas pessoais, como viagens em jatinhos.
Em vídeo publicado nas redes sociais no último dia 12, Ciro Nogueira negou ter recebido valores ilícitos ou cometido irregularidades.