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Dólar cai com menor risco geopolítico e inflação comportada nos EUA

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Agência Estado

Agência Estado
  • 28/05/2026
  • 22:13

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Apesar do recuo no dia, a persistência de pressões inflacionárias nos Estados Unidos impede a moeda americana de retornar ao patamar de R$ 4,90. (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Apesar do recuo no dia, a persistência de pressões inflacionárias nos Estados Unidos impede a moeda americana de retornar ao patamar de R$ 4,90. (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

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 O dólar exibiu queda firme nesta quinta-feira, 28, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, mas permaneceu acima da linha de R$ 5,03. A redução de prêmios de risco geopolítico, com sinais de avanço nas negociações entre Irã e Estados Unidos, e a leitura comportada da inflação nos EUA abriram espaço para a valorização das divisas emergentes.

O real apresentou desempenho superior ao dos seus pares latino-americanos, recuperando parte do terreno perdido nas últimas semanas com o aumento dos ruídos políticos domésticos, na esteira do “Flávio Day 2.0”.

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A moeda brasileira pode ter se beneficiado também da conjugação de menor aversão ao risco com manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados, o que favorece os termos de troca do Brasil.

Afora uma alta pontual na primeira meia hora de negócios, quando registrou máxima de R$ 5,0753, o dólar à vista operou em terreno negativo no restante do dia. Com mínima de R$ 5,0238, à tarde, encerrou o pregão em baixa de 0,57%, a R$ 5,0318. A moeda norte-americana avança 1,60% ante o real em maio, após queda de 4,36% em abril. No ano, as perdas são de 8,33%.

O superintendente de câmbio do Banco Rendimento, Jacques Zylbergeld, ressalta que a dinâmica do mercado de câmbio segue atrelada à “guerra diplomática” entre EUA e Irã, que leva a episódios pontuais de aumento e diminuição do apetite ao risco. “Hoje tivemos uma reviravolta. Começamos o dia com notícias de ataques, mas depois veio a informação de um acordo para prorrogar o cessar-fogo, o que trouxe alívio para o mercado”, afirma Zylbergeld.

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Ele observa que a taxa de câmbio mudou de nível após a revelação do caso “Dark Horse”, que abalou parcialmente a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, mas ressalta que o destino do real parece mais ligado, no curto prazo, ao comportamento da moeda norte-americana no exterior.

“O Banco Central americano está com uma dor de cabeça com os preços de energia. Os dados de inflação hoje não trouxeram grande alívio. O mercado segue projetando mais riscos de alta de juros nos Estados Unidos. Isso deixa o dólar mais forte no exterior e impede a taxa de câmbio de voltar para a casa de R$ 4,90”, afirma Zylbergeld.

Os preços do petróleo apresentaram ligeira alta em meio ao vaivém de notícias sobre as tratativas de paz no Oriente Médio. O contrato do Brent para agosto, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 0,49%, a US$ 92,70 o barril. Após relatos de ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã, reportagem da Axios informou que as partes chegaram a um acordo preliminar para um memorando de entendimento de 60 dias que prevê a extensão do cessar-fogo, o início de negociações sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura “irrestrita do Estreito de Ormuz”.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava por volta de 0,20% no fim da tarde, ao redor dos 99,00 pontos, após mínima aos 98,945 pontos. O Dollar Index avança 1,60% no mês. As taxas dos Treasuries exibiram queda discreta, mais concentrada nos juros longos.

Indicador mais aguardado da semana, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos e seu núcleo em abril – métrica de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) – vieram ligeiramente abaixo das expectativas, mas seguem rodando bem na casa de 3% na comparação anual, bem acima da meta de inflação, de 2%.

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“A medida de inflação preferida do Federal Reserve não foi tão alta quanto se temia, mas isso fará pouco para dissuadir os membros do Fed de abandonar uma postura cada vez mais conservadora”, afirma, em nota a clientes, o economista-chefe internacional do ING, James Knightley, acrescentando que o BC americano não vai suavizar o tom até que tenha “confiança de que a escalada dos preços de energia tenha ficado para trás, o que depende de um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz”.

Ferramenta de monitoramento do CME Group mostra o mercado, grosso modo, dividido entre dezembro deste ano e janeiro de 2027 como data mais provável para um aumento de juros nos EUA. Pela manhã, o presidente do Fed de Nova York, John Willians, afirmou que a política monetária está “um pouco restritiva” e bem posicionada para lidar com as pressões inflacionárias provocadas pelo choque nos preços de energia. À tarde, o presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, disse que a possibilidade de uma alta de juros nos EUA “é maior do que zero”.

Bolsa

O Ibovespa seguiu em leve enfraquecimento apesar da relativa descompressão do risco global, em meio a novos sinais de que Estados Unidos e Irã possam, enfim, estar se aproximando de um entendimento, ainda que preliminar, para o conflito que completou, nesta quinta-feira, três meses – bem além das quatro semanas inicialmente projetadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump.

Na sessão desta quinta-feira, o índice da B3 oscilou dos 174 686,40 até os 176.627,32 em variação de quase 2 mil pontos. O giro financeiro ficou em R$ 21,2 bilhões. Na semana, o Ibovespa cede 0,65%, colocando a perda no mês, que termina na sexta-feira para a B3, em 6,54%. No ano, sobe 8,65%.

No fechamento, o Ibovespa marcava 175.063,41 pontos, em baixa de 0,39%. Em Nova York, os principais índices se alinharam em alta de 0,05% (Dow Jones), 0,58% (S&P 500) e 0,91% (Nasdaq), todos os três nas respectivas máximas históricas de fechamento. Por aqui, o dólar encerrou em baixa de 0,57% frente à moeda brasileira, a R$ 5,0318.

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“Houve certo otimismo, hoje, com a geopolítica, que animou a Europa e também os EUA. À tarde, o Caged veio mais fraco do que o imaginado para abril, o que traz menos preocupação para o Banco Central com relação à Selic, em dia em que o IGP-M não veio muito bom. Real ganhou frente ao dólar com o PIB mais fraco do que o esperado nos Estados Unidos, e com o PCE, principal métrica de inflação ao consumidor acompanhada pelo Federal Reserve, ainda preocupante”, enumera Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

“A recente chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve é um teste. Ele assumiu com apoio público de Trump, mas sob a expectativa de provar independência desde o primeiro dia”, diz Igor Monteiro, CEO da EqSeed, que observa haver uma “camada de incerteza sobre o ritmo e, principalmente, a credibilidade da futura política monetária”.

Na B3, entre as blue chips, o dia foi positivo apenas para Vale (ON +0,61%) e para alguns outros nomes do setor metálico, como CSN (+3,82%) e Usiminas (+4,11%). Na ponta ganhadora do Ibovespa, além de Usiminas e CSN, destaque também para Copasa (+4,32%), RD Saúde (+2,43%) e Cury (+2,22%). No lado oposto, Azzas (-3,87%), Magazine Luiza (-3,79%), Assaí (-2,92%) e CPFL (-2,60%). Entre as maiores instituições financeiras, as variações ficaram entre -2,18% (Banco do Brasil ON, na mínima do dia no fechamento) e -0,32% (Bradesco ON).

Petrobras ON e PN cederam, pela ordem, 1,16% e 0,72%. Por outro lado, os contratos futuros do petróleo fecharam em leve alta, em sessão marcada por volatilidade, com investidores avaliando um acordo preliminar fechado entre os EUA e o Irã, mas que ainda precisa da chancela dos líderes dos dois países. O barril WTI para julho subiu 0,25%, a US$ 88,90, e o Brent para agosto avançou 0,49%, a US$ 92,70.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o país manterá ações defensivas contra o Irã no Estreito de Ormuz e afirmou que um acordo com Teerã dependerá das negociações para a liberação da rota marítima e do encerramento do programa nuclear iraniano.

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Na frente doméstica, a Petrobras anunciou aumento da gasolina nas refinarias a partir de da sexta, em R$ 0,48 por litro. Mas, com a adesão da companhia ao programa de subvenção do governo, será dado um desconto de R$ 0,44 por litro, resultando em uma alta de 1,5% para as distribuidoras. “Para as distribuidoras, o preço médio da gasolina A passará de R$ 2,57 para R$ 2,61 por litro, um aumento residual de R$ 0,04 por litro”, explicou a estatal em nota. Segundo a Warren Investimentos, o efeito para o IPCA de junho será de cerca de 2 pontos-base.

Taxas de juros

Em um pregão com diversos fatores pendendo para lados contrários na influência sobre a curva de juros futuros, vetores de alta acabaram pesando mais nesta quinta-feira. Apesar de o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril ter ficado abaixo do piso das estimativas do Projeções Broadcast, a oferta pelo Tesouro Nacional de mais de 20 milhões de títulos prefixados adicionou mais risco do que o mercado tinha capacidade de absorver e, assim, as taxas encerraram a sessão no terreno positivo.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,057% no ajuste anterior a 14,1%. O DI para janeiro de 2029 exibiu aumento a 13,885%, vindo de 13,818%. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,909% no ajuste a 13,96%.

Apesar da percepção mais positiva sobre a guerra, com relatos de que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo preliminar para estender o cessar-fogo e negociar sobre o programa nuclear iraniano, foi o ambiente doméstico que exerceu maior influência sobre o mercado local de renda fixa no pregão desta quinta-feira

Confirmando a percepção de agentes diante da necessidade da autoridade fiscal de acelerar o ritmo de emissões, o Tesouro ofertou nesta quinta-feira 21,25 milhões de títulos prefixados, sendo 16 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 5,250 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F). O volume financeiro do certame foi 100% maior do que o da semana anterior, e o risco adicionado ao mercado, 89% maior, segundo cálculos da Warren Investimentos.

Sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein aponta que o leilão de prefixados acabou pesando sobre a curva ao longo do dia, com colocação pelo Tesouro de um risco maior do que a capacidade de absorção do mercado. “Aparentemente, não havia demanda robusta pela LTN para janeiro de 2030 ‘seca'”, afirma Goldenstein, ou seja, sem operações de hedge feitas na curva de DIs futuros em igual vencimento.

Ele observa que, na hora do certame, houve um movimento de compra de 70 mil contratos de DI para igual vencimento, por meio de uma única corretora, e o mesmo player pode ter desmontado essas posições, ou seja, fatores técnicos acabaram se sobrepondo aos dados econômicos do dia e ao alívio externo. “Com o recuo dos yields das Treasuries, os dados muito fracos do Caged e a valorização do real, que foi segunda melhor moeda emergente no dia, o normal seria o mercado de juros futuros ter apresentado um desempenho melhor”, disse.

O Caged de abril frustrou as expectativas do mercado ao indicar abertura de apenas 85.888 postos de trabalho no mês. O dado ficou abaixo do piso das estimativas do levantamento do Projeções Broadcast, de criação de 130 mil vagas, e representou o pior resultado para meses de abril desde 2020.

Embora, na abertura dos negócios, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua tenha mostrado um mercado de trabalho ainda resiliente, com a taxa de desemprego em 5,8% no trimestre encerrado em abril, ante 6,1% no trimestre anterior, economistas avaliam que os dois indicadores não se contradizem. Prevalece a visão de que os fundamentos do emprego estão em desaquecimento, o que pode ajudar o Banco Central em seu ciclo de calibração da Selic.

“A Pnad também trouxe acomodação da população ocupada em termos dessazonalizados, e queda da renda na margem, então os dados são compatíveis”, afirmou Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg, para quem o saldo do Caged do mês anterior foi bastante fraco. Após a publicação do dado, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto da Selic na reunião de junho do Copom apontada pela curva de juros passou a 84%, ante 80% no período da manhã.

Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o mercado de juros tem ficado mais atento aos dados locais nesta semana, algo que não ocorre na Bolsa e no dólar. “O mercado está entendendo que a guerra vai acabar, e que agora parece que as coisas vão andar”, afirmou. Ao mesmo tempo, apontou, os números do mercado de trabalho conhecidos nesta quinta ajudaram a “acalmar” os agentes.

Em evento do banco Pine, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, deu declarações em direção mais conservadora na leitura de participantes do mercado, ao afirmar que a alta das expectativas para a inflação de 2028 é “algo que salta aos olhos”

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