O anúncio de que os Estados Unidos vão classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas reflete o avanço do narcoterrorismo em solo nacional. Em entrevista exclusiva à 98 News, o Coronel Gilmar, ex-Bope e especialista em segurança pública, defendeu a contundência da medida norte-americana diante do atual cenário de violência no país. Conforme o militar, “o Brasil é o próximo a sofrer e precisa desse apoio internacional”, ponderou.
“O Brasil hoje ocupa um ranking horroroso internacional. É o hub de distribuição de cocaína do mundo, sendo o segundo maior consumidor do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos. Esse dinheiro vem financiando o aparelhamento e a infiltração de agentes nas instituições dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário”, denunciou o coronel.
O posicionamento do especialista contrasta diretamente com os temores diplomáticos dos bastidores de Brasília. Para o ex-Bope, o rótulo de terrorismo não é um mero instrumento de pressão política externa, mas sim uma resposta inevitável a episódios de guerra urbana recentes, marcados por ataques com drones, bombas e armamentos pesados contra as forças policiais.
O “conjunto da obra” e as brechas na legislação brasileira
A decisão de Washington, anunciada formalmente na noite de ontem (28/5), enquadra as facções brasileiras como “Terroristas Globais Especialmente Designados” e estabelece o dia 5 de junho para a inclusão definitiva na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. De acordo com o coronel, o estopim para a intervenção internacional ocorreu após o Brasil demonstrar inércia ao se recusar a assinar tratados em conferências contra cartéis nas Américas.
Além disso, o especialista ressaltou que a estrutura dessas organizações se consolidou no país por meio de uma rede complexa de lavagem de dinheiro, que opera desde postos de combustíveis até shoppings de luxo. Ele destacou, portanto, que a herança de leis penais excessivamente brandas no Brasil permitiu que as milícias e facções estabelecessem um verdadeiro domínio social estruturado sobre cidades inteiras.
“A nossa legislação, infelizmente, não quis classificar esses grupos como terroristas e preferiu o termo ‘ultraviolento’, o que deixou uma brecha internacional. O que eles fazem não é ato criminoso comum, é ato terrorista que supera a capacidade das polícias locais. Particularmente, vejo com muito bons olhos essa intervenção americana para nos livrarmos do PCC e do Comando Vermelho”, concluiu.
