O escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas afirmou nesta terça-feira (27/05) que há indícios de possíveis crimes de guerra cometidos por Israel na Faixa de Gaza após a morte de palestinos próximos à chamada “linha amarela”, área militarizada criada pelo Exército israelense após o cessar-fogo firmado com o Hamas.
Segundo dados analisados pela ONU, cerca de um terço dos palestinos mortos desde o início da trégua estava em regiões próximas à linha de armistício estabelecida por Israel dentro do território palestino.
A organização afirma que há preocupação de que civis estejam sendo mortos apenas por se aproximarem da área.
“As informações disponíveis levantam sérias preocupações de que o Exército israelense esteja atirando e matando supostos civis simplesmente por estarem próximos à chamada ‘linha amarela’, o que configuraria assassinatos ilegais e, portanto, crimes de guerra”, afirmou Ajith Sunghay, chefe do Escritório de Direitos Humanos da ONU no território palestino ocupado.
ONU aponta mortes de mulheres e crianças perto da fronteira
Os dados compartilhados pela ONU apontam que, das 453 mortes confirmadas entre o início do cessar-fogo e 5 de fevereiro, 152 ocorreram próximas à área militarizada criada por Israel.
Entre as vítimas estavam 102 homens, 15 mulheres, 24 meninos e 11 meninas.
Segundo a ONU, muitos civis atingidos realizavam atividades cotidianas ou tentavam se deslocar em regiões próximas à fronteira.
“O civis não parecem representar qualquer risco para a vida dos militares israelenses”, afirmou Sunghay.
Israel ampliou zona de controle em Gaza
Após o cessar-fogo mediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Israel passou a demarcar uma área militarizada com blocos de concreto conhecida como “linha amarela”.
Segundo mapas israelenses citados pela reportagem, a zona restrita ampliada já cobre quase dois terços da Faixa de Gaza.
O Exército israelense afirma que a área funciona como uma “zona de amortecimento” para impedir novos ataques do Hamas semelhantes aos ocorridos em 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra.
A ONU, porém, afirma que a movimentação constante da linha e a falta de sinalização clara aumentam o risco para civis palestinos deslocados pela guerra.
Trégua não interrompeu ataques em Gaza
Apesar do cessar-fogo firmado em outubro, os ataques israelenses continuam ocorrendo em Gaza.
Segundo autoridades de saúde palestinas, cerca de 900 pessoas morreram em bombardeios israelenses desde o início da trégua.
Israel afirma que segue realizando operações contra lideranças do Hamas e diz que suas tropas atuam para neutralizar ameaças de militantes próximos às áreas controladas pelo Exército.