O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou que vai classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em entrevista exclusiva à 98 News, o analista internacional Evandro Magalhães avaliou as intenções de Washington por trás do rótulo de segurança pública. “Fica a sombra de uma possível futura intervenção que a gente não sabe ainda que natureza vai ter”, destacou o especialista.
“Não existe nada que leve a crer que, de fato, se trate de uma organização terrorista que, por definição, tem sempre um viés ideológico. Nem o PCC, nem o Comando Vermelho atuam em base a uma ideologia. A decisão vai depender em grande parte do que o Itamarati vai responder sobre o tema”, explicou Evandro.
O movimento da Casa Branca gerou forte preocupação nos bastidores do Palácio do Planalto, que atuava diplomaticamente para tentar barrar a medida de Donald Trump. O governo Lula teme que a rotulação oficial abra margem para severas restrições econômicas contra o mercado brasileiro ou justifique ações coercitivas externas.
Entenda a classificação e o impacto financeiro das sanções
O anúncio oficial ocorreu na noite de ontem (28/5), após reuniões estratégicas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o presidente Donald Trump na Casa Branca. Na prática, as facções brasileiras entram no grupo de “Terroristas Globais Especialmente Designados” com efeitos imediatos e passam a integrar a lista de “Organizações Terroristas Estrangeiras” no dia 5 de junho.
A medida confere aos norte-americanos o poder de impor um forte bloqueio financeiro internacional, asfixiando a movimentação de recursos das quadrilhas sem o disparo de armas. O governo americano consegue forçar operadoras globais de cartões de crédito e bancos com ramificações no exterior a bloquearem contas de suspeitos vinculados aos grupos criminosos.
“A gente tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo e o domínio sobre a Amazônia. Isso tudo são instrumentos de pressão para obter lá na frente um benefício. O presidente Trump cria uma dificuldade impensável para logo depois chamar para a mesa e negociar concessões. São elementos de barganha quase que como elementos à disposição de um jogador de pôquer para, então, confundir o seu adversário e exercer poder quando for preciso sobre ele”, concluiu o colunista.
