Após mais de um mês de greve na rede municipal de ensino de Belo Horizonte, representantes dos trabalhadores da educação e da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) voltarão a se reunir para discutir as reivindicações da categoria.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE/BH), a reunião foi marcada para a próxima segunda-feira (1º), às 9h.
A convocação ocorre poucos dias depois de os trabalhadores decidirem manter a paralisação durante assembleia realizada em frente à sede da prefeitura. Na ocasião, a categoria criticou o encerramento das negociações por parte da Secretaria Municipal de Educação (SMED), denunciou o corte de ponto dos servidores em greve e cobrou a retomada do diálogo com a administração municipal.
De acordo com o sindicato, uma assembleia também será realizada na segunda-feira para que os trabalhadores avaliem o resultado da reunião e decidam os próximos passos do movimento.
“A presença de todos é fundamental neste momento decisivo, para fortalecermos a luta da categoria e construirmos coletivamente os próximos passos do movimento”, afirmou o Sind-REDE/BH em comunicado divulgado nesta sexta-feira (29/05).
A greve dos trabalhadores da educação municipal completou um mês nesta semana. Entre as reivindicações da categoria estão pautas relacionadas à carreira, condições de trabalho e políticas adotadas pela Prefeitura de Belo Horizonte para a rede municipal de ensino.
Nos últimos dias, a prefeitura afirmou ter atendido os pontos considerados negociáveis pelos trabalhadores. Já o sindicato sustenta que ainda existem demandas pendentes e que o diálogo foi interrompido antes da construção de um acordo definitivo.
O resultado da reunião de segunda-feira poderá definir os rumos da paralisação e a continuidade ou não do movimento grevista nas escolas da capital mineira.
Relembre o que pede os trabalhadores
A greve dos trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte começou no dia 27 de abril e envolve professores, auxiliares de biblioteca, secretários escolares e demais servidores concursados da educação.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-REDE/BH), a pauta da categoria reúne mais de 70 reivindicações. Entre os principais pontos estão o pagamento integral do piso nacional do magistério, com reajuste de 5,4% e pagamento retroativo a janeiro, a contratação de mais profissionais para reduzir o déficit de trabalhadores nas escolas e maior transparência na distribuição de vagas e lotações da rede municipal.
Os trabalhadores também criticam a ampliação da atuação das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) no Atendimento Educacional Especializado (AEE), serviço voltado ao acompanhamento de estudantes com deficiência. O sindicato afirma que o modelo adotado pela prefeitura representa uma precarização do atendimento e cobra mais transparência nos contratos firmados com as entidades.
Outra reclamação da categoria envolve a contratação de profissionais de apoio aos alunos com deficiência. O Sind-REDE/BH alega que não há critérios claros para o dimensionamento das equipes e para a distribuição desses trabalhadores nas unidades escolares.
A Prefeitura de Belo Horizonte, por sua vez, afirma que atendeu os pontos considerados negociáveis apresentados pela categoria e sustenta que não há privatização da educação municipal. Em entrevistas recentes, a secretária municipal de Educação, Natália Araújo, também negou cortes de verbas na área e afirmou que as mudanças relacionadas às OSCs não representam terceirização ou privatização do ensino.
Após semanas de impasse, prefeitura e sindicato voltarão à mesa de negociação na próxima segunda-feira (1º). O resultado da reunião será avaliado em assembleia da categoria, que decidirá se mantém ou não a paralisação. apresentados pelos trabalhadores. A administração municipal também sustenta que as propostas discutidas com a categoria já contemplam as reivindicações possíveis dentro dos limites da gestão.