Os trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte decidiram, em assembleia realizada nesta quinta-feira (28/05), manter a greve da categoria, que completou um mês de paralisação.
O encontro ocorreu em frente à sede da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), na avenida Afonso Pena, no Centro da capital, e terminou com aprovação unânime pela continuidade do movimento.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede BH), a decisão foi motivada pelo endurecimento da postura da administração municipal e pelo encerramento das negociações por parte da Secretaria Municipal de Educação (SMED).
A categoria também denuncia o corte de ponto dos servidores grevistas e critica a decisão da prefeitura de inviabilizar qualquer proposta de reposição dos dias parados.
“O corte de ponto e o encerramento abrupto das negociações demonstram uma falta de respeito não apenas com os profissionais, mas com toda a comunidade escolar. A gestão Damião-Natália prefere punir a negociar”, afirmou a diretoria colegiada do Sind-Rede BH.
A continuidade da greve ocorre dias após a secretária municipal de Educação, Natália Araújo, afirmar que a prefeitura já havia atendido os pontos considerados negociáveis pelos trabalhadores.
Durante coletiva realizada nesta semana, a secretária declarou que a PBH atendeu “sete dos sete pontos” apresentados pela categoria nas negociações e questionou a manutenção da paralisação.
O sindicato, porém, rebate a versão da prefeitura e afirma que a pauta do movimento possui 78 reivindicações, incluindo questões salariais, transparência sobre vagas nas escolas municipais e críticas ao modelo de contratação por Organizações da Sociedade Civil (OSCs).
Categoria aprova calendário de mobilização
Durante a assembleia, os trabalhadores também aprovaram um calendário de mobilização para os próximos dias.
Nesta sexta-feira (29), às 14h, a categoria realizará um ato público em frente à PBH com o tema “Copa da Educação: Viaja não, Damião!”.
Já entre os dias 30 e 31 de maio, estão previstas ações de panfletagem e campanhas com carro de som em bairros e comunidades de Belo Horizonte.
Uma nova assembleia foi marcada para o dia 1º de junho, às 9h. O local ainda será definido pelo sindicato.
Veja a resposta da PBH
A Secretaria Municipal de Educação lamenta a decisão dos professores de manterem a greve e ressalta que já atendeu a todas as sete reivindicações prioritárias da categoria. Já foram realizadas várias reuniões com a categoria na tentativa de encerrar a paralisação que tantos transtornos causam para pais e alunos.
Nesta quinta-feira (28), até o momento 67 escolas mantiveram 100% das turmas com aulas normais, 240 funcionaram parcialmente e 8 fizeram greve geral. Os números mostram que 70% das turmas tiveram aula normalmente na manhã desta quinta-feira.
Em razão de a assembleia ter sido realizada pela manhã, a expectativa da SMED é que no período da tarde o percentual de turmas com aulas normais seja maior.