O Atlético pegou seus torcedores de surpresa nessa segunda-feira (1/6) ao anunciar a contratação de Léo Duarte, zagueiro brasileiro que estava no İstanbul Başakşehir, da Turquia.
Apesar de ter tido uma boa passagem pelo Flamengo, clube que o revelou, entre 2016 e 2019, o defensor não é muito lembrado pelos torcedores brasileiros. Dessa forma, a Rede 98 conversou com Felipe Simonetti, analista tático e de desempenho, para entender melhor como joga o novo zagueiro do Atlético.
A carreira de Léo Duarte
Revelado nas categorias de base do Flamengo, Léo Duarte teve sua primeira oportunidade no profissional do rubro-negro em 2016 e ganhou destaque em 2019, ano das conquistas da Libertadores e do Campeonato Brasileiro, quando chamou a atenção do Milan, da Itália.
O defensor não conseguiu muitas oportunidades no clube rossonero e acabou emprestado ao Başakşehir em 2021. Ao fim do empréstimo, em 2022, o clube turco comprou o zagueiro junto ao Milan por cerca de 2 milhões de euros (aproximadamente R$ 11 milhões na cotação da época). Desde então, permaneceu na Turquia até a temporada atual.
Como joga?
Felipe Simonetti destacou duas principais valências no estilo de jogo de Léo Duarte: o jogo aéreo e a defesa em profundidade. A bola aérea é um dos principais problemas do Atlético na temporada, e o novo zagueiro pode chegar para ser uma solução para essa “dor de cabeça” do Galo em 2026.
A defesa em profundidade é uma característica na qual outro zagueiro do Atlético também se destaca: Ruan Tressoldi. O camisa 4 do Galo tem facilidade para recuperar bolas lançadas nas costas da defesa, utilizando a velocidade para interceptar passes em profundidade. Léo Duarte também apresenta bons números nesse quesito.
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Onde joga?
Apesar das qualidades, o novo contratado não resolve um problema que o Atlético tem atualmente em seu elenco: o lado esquerdo da zaga. Com a saída de Junior Alonso para a MLS, Eduardo Domínguez terá apenas um zagueiro canhoto no elenco: Vitor Hugo, que foi titular no fim do ano passado, mas perdeu espaço após atuações ruins no início de 2026.
Segundo Simonetti, Léo Duarte chega para compor elenco na defesa atleticana, mas não deve ser utilizado pelo lado esquerdo da zaga, o que mantém a questão em aberto no elenco alvinegro.
“Eu não o vi jogar pelo lado esquerdo. Já o vi atuar como lateral-direito, muitas vezes em uma linha de três zagueiros, pelo lado direito, como o Natanael joga hoje em dia. Mas, nessa função, pela beirada, o Galo tem outros jogadores que estão à frente: Román, Lyanco e Ruan Tressoldi.”
Apesar disso, as boas atuações pelo lado direito da defesa podem ajudar o “Barba” Domínguez a solucionar o problema no setor esquerdo.
“Ele pode liberar outros zagueiros para jogar pela esquerda, como Lyanco e Ruan Tressoldi, por terem um trato melhor com a bola.”
Ponto fraco
O motivo para o zagueiro não ser utilizado como lateral-direito é, inclusive, o principal ponto fraco do seu estilo de jogo. Léo Duarte não é um zagueiro de progressão. Ou seja, não costuma fazer passes para frente. Segundo Simonetti, ele tem boa saída de bola, mas encontra dificuldades quando busca acelerar a construção ofensiva.
“Não que ele erre muito ou seja ruim, mas eu não o vi exercitar muito isso. Ele não tenta muitos passes de ruptura nem conduções para o campo de ataque. Quando conduz, geralmente tenta o passe para o lado.”
“Ele tem, talvez, o pior número, em comparação com os zagueiros do Atlético, de passes progressivos a cada 100 passes, mas tem o melhor aproveitamento. Talvez seja por isso, por ser um jogador que não tenta tantos passes arriscados.”

Acima, alguns indicadores ofensivos e defensivos de Léo Duarte. Onde o indicador é roxo, significa que o zagueiro é melhor que 90% dos zagueiros do Brasil no quesito. Verde, melhor que 80%. Amarelo, melhor que 65%. Vermelho, menor que 65% dos zagueiros do país.
