Trabalhadores da educação da rede municipal de Belo Horizonte que ocupam a Secretaria Municipal de Planejamento desde a tarde desta terça-feira (02/6) denunciaram agressões, restrições de acesso a água e alimentação e o uso de gás de pimenta durante a permanência no prédio.
O grupo decidiu permanecer no local após a assembleia que manteve a greve da categoria, iniciada há 37 dias. Segundo o comando de greve, o objetivo da ocupação é pressionar a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) a abrir negociações sobre o corte de ponto dos servidores e a reposição das aulas após o fim da paralisação.
Grevistas cobram negociação sobre corte de ponto e reposição
De acordo com grevistas que estavam no local, representantes do movimento protocolaram um pedido de reunião com a Prefeitura de Belo Horizonte ainda durante a tarde.
Segundo a categoria, a principal reivindicação envolve a definição das regras para reposição dos dias parados e a devolução dos valores descontados dos trabalhadores em greve.
Os trabalhadores também afirmam que discordam da proposta apresentada pela Secretaria Municipal de Educação para a reposição das aulas. A categoria defende que o calendário de reposição seja construído pelas próprias escolas após o encerramento do movimento, levando em consideração a realidade de cada unidade de ensino.
Sindicato relata agressão e atendimento dos bombeiros
Ainda segundo os grevistas que estavam no prédio da PBH, um trabalhador precisou ser atendido após uma confusão envolvendo a entrada de água para os manifestantes.
De acordo com o relato, guardas municipais teriam impedido a entrada dos recipientes e, durante o tumulto, um servidor caiu, bateu a cabeça e foi encaminhado para atendimento médico pelo Corpo de Bombeiros.
Uma das professoras que estavam no local também afirma que houve lançamento de gás de pimenta próximo ao local onde os grevistas estão concentrados.
Segundo ela, o produto teria atingido o interior do saguão da secretaria, provocando irritação nos olhos e dificuldades respiratórias entre os ocupantes.
A mobilização também contou com a presença de parlamentares que acompanharam a situação no local ao longo da noite. A vereadora Iza Lourença (PSOL) esteve na Secretaria Municipal de Planejamento e publicou nas redes sociais denúncias de supostas ações truculentas por parte da Guarda Municipal durante sua tentativa de ajudar os grevistas.
Segundo os vídeos das redes sociais da vereadora, Iza auxiliava na tentativa de levar água e alimentos para os manifestantes que permanecem acampados no local, mas foi impedida pelos guardas.
A vereadora Professora Nara (Rede) e o vereador Pedro Patrus (PT) também estiveram na secretaria acompanhando a situação. De acordo com os trabalhadores, os parlamentares atuaram na interlocução com a Prefeitura de Belo Horizonte e auxiliaram na tentativa de garantir o acesso dos manifestantes a água, alimentação e diálogo com representantes do Executivo.
Categoria afirma que permanecerá no local
Os trabalhadores afirmam que seguem aguardando uma resposta da prefeitura para a abertura de uma nova rodada de negociação.
Segundo o comando de greve, a permanência na Secretaria Municipal de Planejamento continuará até que haja uma definição sobre os pedidos apresentados à administração municipal.
A categoria também convocou servidores da rede municipal para reforçar a mobilização nesta quarta-feira (4), em apoio aos trabalhadores que permanecem no local.
A reportagem da Rede 98 procurou a Prefeitura de Belo Horizonte para comentar as denúncias feitas pelos trabalhadores da educação. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.