O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3/6) que o governo norte-americano não comunicou o Brasil oficialmente sobre as novas tarifas comerciais. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, o petista demonstrou forte descontentamento e disse que foi pego de surpresa. O chefe do Executivo brasileiro adiantou que pretende enviar uma nova carta diretamente a Donald Trump para contestar o recuo no diálogo.
“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles de ontem, e a de antes de ontem”.
Lula relembrou que, no último encontro com Trump, os dois líderes estabeleceram um prazo de trinta dias para os ministros de comércio resolverem as divergências. Segundo o mandatário, esse período de um mês ainda não terminou, o que torna a imposição de barreiras alfandegárias um ato precipitado. A Casa Branca propôs aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre os produtos brasileiros após um relatório apontar falhas na fiscalização do trabalho forçado.
Acusação a Flávio Bolsonaro de traição da pátria
O chefe do Executivo aproveitou o espaço para disparar duras críticas contra parlamentares da oposição brasileira. Lula não quis citar o nome, mas deixou explícito que direcionava a condenação ao senador Flávio Bolsonaro. Ele ainda afirmou que adversários políticos locais estão fomentando o impasse comercial no exterior para tentar desgastar a imagem do governo federal no cenário eleitoral. O petista repudiou a estratégia e destacou que a sobretaxa pune diretamente os produtores e o povo, não a figura do presidente.
“Pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome a não ser traição da pátria”, disparou o mandatário. O governo enxerga o movimento da oposição como uma tentativa de boicote econômico internacional. O Palácio do Planalto teme que o embate contamine outras áreas de cooperação bilateral nas Américas.
Relatórios americanos e o foco na diplomacia comercial
Durante o pronunciamento, o petista também elevou o tom e disparou críticas diretas ao Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O presidente brasileiro repetiu discursos anteriores e classificou o diplomata estrangeiro como um “latino-americano frustrado”. Ele ressaltou que havia entregado em mãos quatro documentos estratégicos ao presidente dos Estados Unidos sobre cooperação em segurança, terras raras e geopolítica.
O presidente brasileiro defendeu firmemente a diplomacia e o fim dos conflitos econômicos pelo planeta, reiterando que a postura histórica do Brasil foca na busca pela paz. Lula garantiu que usará canais oficiais e a imprensa internacional para provar que a decisão de Washington está errada. A equipe econômica do governo monitora a situação devido ao risco de prejuízos ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
