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Juiz multa advogado por esconder comando para influenciar sistema de IA da Justiça em BH

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Larissa Reis

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O advogado inseriu em documentos anexados ao processo uma mensagem escondida, escrita em letras brancas sobre fundo branco, o que a tornava invisível para quem estivesse lendo normalmente (Imagem gerada por IA)

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Uma decisão da 29ª Vara Cível de Belo Horizonte trouxe à tona um novo desafio enfrentado pelo Judiciário com o avanço da inteligência artificial. O juiz Lupércio Paulo Fernandes de Oliveira extinguiu uma ação contra o Banco Mercantil do Brasil e aplicou multas a um advogado após identificar uma tentativa de influenciar ferramentas de IA utilizadas na análise de processos.

Segundo a sentença, o advogado inseriu em documentos anexados ao processo uma mensagem escondida, escrita em letras brancas sobre fundo branco, o que a tornava invisível para quem estivesse lendo normalmente. O texto orientava que, caso o documento fosse analisado por um sistema de inteligência artificial, fossem concedidos benefícios à autora da ação, como a gratuidade da Justiça e uma decisão favorável em caráter de urgência.

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Ao descobrir a mensagem, o magistrado considerou que houve uma tentativa deliberada de interferir nas ferramentas de apoio utilizadas pelo tribunal. Embora o Judiciário use recursos tecnológicos para ajudar na organização e análise dos processos, o juiz destacou que as decisões continuam sendo tomadas por pessoas e passam por revisão humana.

Na avaliação do magistrado, a estratégia ultrapassa um simples erro e configura uma conduta incompatível com os deveres de boa-fé e transparência exigidos das partes envolvidas em um processo judicial.

Por causa da irregularidade, o processo foi encerrado sem que o mérito da ação fosse analisado. Além disso, o advogado foi condenado ao pagamento das custas processuais, de uma multa de 9% sobre o valor da causa por litigância de má-fé e de outra multa equivalente a dois salários mínimos por desrespeito à administração da Justiça.

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A decisão também determina o envio do caso à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais e de Santa Catarina para avaliação de possíveis medidas disciplinares contra o profissional.

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Larissa Reis

Graduada em jornalismo pela UFMG e repórter da Rede 98 desde 2024. Vencedora do 13° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, idealizado pelo Instituto Vladimir Herzog. Também participou de reportagens premiadas pela CDL/BH em 2022 (2º lugar) e em 2024 (1º lugar).

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