O presidente nacional do PT, Edinho Silva, evitou criticar a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que apontava queda na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao comentar o caso nesta terça-feira (09/6), Edinho afirmou que a decisão da Justiça Eleitoral deve ser respeitada e disse acreditar que o magistrado teve fundamentos para tomar a medida.
“Se ele tomou essa decisão, ele deve ter fundamentos. Nós respeitamos. Decisão do Judiciário não se debate, se respeita”, declarou.
A manifestação ocorre em meio à repercussão da decisão de Kassio Nunes Marques, que acolheu parcialmente um pedido da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. A defesa do senador argumentou que o questionário utilizado pela pesquisa teria induzido respostas negativas dos entrevistados após a divulgação do caso envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O levantamento, divulgado em maio, indicava recuo de seis pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante entrevista em Brasília, Edinho também ressaltou a confiança do partido na condução do processo eleitoral pelo presidente do TSE.
“Temos muito respeito pelo ministro Nunes Marques. Temos certeza de que ele vai conduzir o processo eleitoral da melhor forma possível. Vamos sempre acatar aquilo que o TSE decidir e o que o presidente do TSE expressar em suas decisões”, afirmou.
Decisão será analisada pelo plenário do TSE
A suspensão da pesquisa foi determinada monocraticamente por Kassio Nunes Marques e ainda será analisada pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral.
A medida gerou reações divergentes dentro do campo governista. Enquanto dirigentes petistas adotaram tom cauteloso, parlamentares aliados do governo criticaram a decisão. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), por exemplo, classificou a ação judicial movida pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro como uma tentativa de censura.
Nos bastidores, integrantes do PT avaliam que não há interesse em ampliar o desgaste com o presidente do TSE em um ano eleitoral, especialmente porque a discussão não envolve diretamente a campanha do presidente Lula.
Debate sobre reforma do Judiciário
As declarações de Edinho ocorreram durante um seminário promovido pelo PT para discutir propostas relacionadas ao sistema de Justiça.
Questionado sobre mudanças na estrutura das cortes superiores, o dirigente afirmou que não considera prioritária a discussão sobre mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outros tribunais superiores.
Segundo ele, o principal desafio é aproximar as instituições da sociedade.
“Existe um sentimento da sociedade civil de distanciamento, não só do Poder Judiciário. Por isso defendemos não só uma reforma do Judiciário, mas uma reforma político-eleitoral”, afirmou.