O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu prazo de 24 horas para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro preste esclarecimentos sobre uma arma de fogo de propriedade dele apreendida durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal.
A abordagem ocorreu na noite de segunda-feira (15/6), no Pistão Norte, em Taguatinga. Segundo a decisão de Moraes, a arma estava em um Honda Civic parado em um ponto de bloqueio da PMDF.
O motorista se identificou como servidor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e afirmou que a pistola pertencia ao ex-presidente.
Arma teria sido retirada para reparo
Durante a abordagem, os policiais encontraram uma pistola Glock 9 mm e um carregador sobressalente. O motorista foi levado a uma delegacia.
Em depoimento, ele afirmou que a arma havia sido entregue a ele por causa de uma pane. Disse ainda que retirou o armamento no próprio dia 15 para realizar o reparo e que a pistola seria devolvida no dia seguinte.
Moraes cobra explicações da defesa
Na decisão, Alexandre de Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro explique por que o ex-presidente mantinha uma arma de fogo em casa, acompanhada de carregador sobressalente.
O ministro também questionou por que o reparo no armamento foi solicitado às vésperas do fim do período de 90 dias concedido a Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março, quando deixou o Hospital DF Star, em Brasília, após internação para tratar pneumonia bacteriana.
PMDF também deve prestar esclarecimentos
Moraes também pediu explicações ao tenente-coronel Allenson Nascimento Lopes, comandante do 19º Batalhão da PMDF.
O militar é responsável pelas medidas de segurança do regime domiciliar humanitário de Bolsonaro.
O ministro quer saber se a ordem judicial de revista nos veículos que saem da residência do ex-presidente está sendo cumprida integralmente. A determinação inclui carros oficiais usados na segurança de Bolsonaro.
Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar
Antes da decisão que autorizou a prisão domiciliar, Bolsonaro cumpria pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O local é conhecido como Papudinha.
O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista.
O que acontece agora
A defesa de Bolsonaro deverá apresentar os esclarecimentos ao STF dentro do prazo de 24 horas.
Após receber as informações, Alexandre de Moraes poderá avaliar se houve descumprimento de alguma condição da prisão domiciliar ou falha no cumprimento das medidas de segurança determinadas pelo Supremo.
