Um relatório preliminar da Polícia Federal, tornado público nesta terça-feira (16/6) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria comandado um grupo apelidado de “A Turma” para monitorar e intimidar desafetos. Entre os alvos citados estão uma ex-funcionária da atriz Monique Alfradique e o DJ e ex-jogador da NBA Rony Seikaly — nomes distantes entre si, mas que apareceram nas mesmas conversas trocadas entre Vorcaro e seu braço direito, Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025.
O que Vorcaro teria mandado fazer contra a ex-funcionária de Monique?
O caso mais recente é de fevereiro de 2025, quando Vorcaro teria acionado Mourão contra uma ex-funcionária da atriz, alegando estar sendo ameaçado por ela. Após receber o nome e o telefone da mulher, o ex-banqueiro teria escrito: “Empregada da Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda”. Em seguida, Mourão enviou dados pessoais e uma fotografia dela. A PF não esclareceu qual teria sido a ameaça nem se a intimidação chegou a ser executada. Vale registrar que a atriz não é alvo da investigação: seu nome surge apenas na menção à antiga funcionária.
A trajetória de Monique Alfradique
Nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 29 de abril de 1986, Monique estreou na TV em 1999 como Paquita, nos programas Xuxa Park e Planeta Xuxa, e ganhou projeção nacional em Malhação, na pele da personagem Priscila. De lá para cá, somou novelas como Fina Estampa (2011) e Êta Mundo Melhor! (2025), além de filmes e programas de variedades. Hoje, reúne mais de 2,4 milhões de seguidores no Instagram — onde seu nome voltou a circular depois de despontar entre os assuntos mais buscados do Google com a divulgação do relatório.
O plano contra o ex-jogador da NBA Rony Seikaly
Outro alvo das conversas, em outubro de 2024, foi Ronald Fred Seikaly, o Rony Seikaly. Nascido em Beirute em 1965, ele jogou na NBA entre o fim dos anos 1980 e a década de 1990, por Miami Heat, New Jersey Nets, Golden State Warriors e Orlando Magic, e hoje vive em Miami como DJ. O nome dele entrou na mira por um motivo pessoal: Seikaly foi casado com a modelo Martha Graeff, então namorada de Vorcaro, e o plano teria sido motivado por um desentendimento envolvendo um filho do banqueiro. Segundo a PF, Vorcaro chegou a cogitar destinar até R$ 10 milhões para incriminar o DJ com drogas em Miami, ou atraí-lo para uma festa no Rio. Nada disso foi adiante, mas o grupo teria monitorado o ex-atleta e produzido um documento falso para enviar à Interpol.
“A Turma” e os outros alvos do ex-banqueiro
Esses episódios fazem parte de um padrão descrito no relatório. A PF afirma que “A Turma” obtinha dados sigilosos de forma ilegal para constranger pessoas tidas como inimigas de Vorcaro, e que Mourão, o “Sicário”, operava as ações até morrer na prisão, em março de 2025. Entre outros casos, um chef que trabalhou na casa do banqueiro entre 2021 e 2024 relatou ter sido abordado por cerca de sete pessoas em um hotel em Angra dos Reis, e o capitão de uma embarcação dele também teria sido vigiado. O documento ainda aponta uma suposta relação financeira entre Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que negou irregularidades.
Por que o caso veio à tona agora?
Os relatórios foram divulgados em 16 de junho de 2026, quando o ministro André Mendonça liberou o sigilo do material — no mesmo dia em que o STF analisou a prisão do pai e do primo de Vorcaro. Por se tratar de investigação em andamento, as informações são acusações e ainda não foram julgadas, e a defesa do ex-banqueiro não havia comentado as revelações até o fechamento desta reportagem.
