O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou os pedidos da defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão foi tomada no âmbito da investigação aberta após publicação do parlamentar nas redes sociais.
Flávio Bolsonaro é investigado desde abril por associar Lula ao presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma postagem no X. Segundo a Polícia Federal, o conteúdo atribuiu crimes ao presidente da República.
A defesa do senador solicitou a realização de oitivas com nove pessoas. Entre os nomes indicados estavam o próprio Lula, o senador Sérgio Moro (PL-PR), o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR), o marqueteiro João Santana, a opositora venezuelana María Corina Machado e um procurador dos Estados Unidos.
Os advogados também pediram o envio de ofícios ao Ministério das Relações Exteriores e à Justiça norte-americana.
Na decisão, Moraes afirmou que as solicitações representam tentativa de interferência na investigação. Segundo o ministro, não cabe ao investigado direcionar o andamento do inquérito.
O caso teve origem em uma publicação feita em janeiro. Na ocasião, Flávio Bolsonaro escreveu que Lula seria “delatado” após a detenção de Nicolás Maduro em operação dos Estados Unidos. O senador associou o episódio a crimes como tráfico internacional de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
A PF solicitou a abertura de investigação ao STF. Para a corporação, a publicação imputou fatos criminosos ao presidente.
Em nota, a defesa de Flávio Bolsonaro criticou a investigação. Os advogados afirmaram que “a abertura deste inquérito configura uma tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar”.
*Com Agência Estado
