O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), admitiu ter viajado para Portugal em um jato do banqueiro Daniel Vorcaro e confirmou que o empresário custeou sua hospedagem em Lisboa. A informação sobre a confissão do parlamentar consta em apuração publicada pelo portal G1 nesta quarta-feira (17/6). O reconhecimento do deputado ocorre logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar o sigilo de relatórios confidenciais enviados pela Polícia Federal (PF).
O documento integra o material de inteligência produzido pelos agentes na Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes financeiras e crimes fiscais ligados ao Banco Master. A versão apresentada pelo parlamentar de que o banqueiro bancou apenas duas diárias na capital europeia, no entanto, diverge dos dados obtidos pelos investigadores. A corporação aponta no relatório que Vorcaro pagou por cinco dias de hotel de luxo, enquanto a fatura apreendida registra sete diárias.
“Defendo que as investigações aconteçam da maneira mais isenta e imparcial possível. Sempre defendi o exercício da atividade parlamentar e sempre legislei com responsabilidade. Tenho muita tranquilidade com relação a isso e esses vazamentos não me preocupam de forma alguma”, declarou o deputado Hugo Motta ao comentar sobre a apuração do órgão de segurança.
Viagem de luxo
O documento da Polícia Federal menciona conversas diretas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e um auxiliar de sua confiança operacional. Nas mensagens interceptadas com autorização judicial, o empresário afirma claramente que precisaria de dois quartos na cidade europeia para acomodar os políticos “Ciro e Hugo”. Os analistas da PF identificaram que o primeiro nome refere-se ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também recebia benefícios operacionais e viagens da instituição financeira.
Os investigadores apontam que Daniel Vorcaro concedia um tratamento privilegiado e exclusivo ao senador piauiense no mercado internacional. O pacote de vantagens indevidas incluía o pagamento regular de viagens transatlânticas, hospedagens sofisticadas e refeições caras em hotéis de luxo. Poucos dias após o diálogo sobre os preparativos em Lisboa, o assessor confirmou a reserva bem-sucedida de duas suítes presidenciais no renomado hotel Four Seasons.
O relatório da Polícia Federal, portanto, aponta que o confronto dos dados de faturamento com as conversas interceptadas revela elementos coincidentes que reforçam o pagamento das estadias. De acordo com o documento oficial da corporação, as despesas com as diárias somaram EUR 3.155,71, quantia que correspondia a cerca de R$ 18.256,21 na cotação financeira da época.
