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Dólar cai a R$ 5,13 com ajustes e valorização de commodities

Por

Ludmila Souza

Agência Estado
  • 06/07/2026
  • 21:17

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(Foto: Freepik).

(Foto: Freepik).

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O dólar emendou o terceiro pregão consecutivo de baixa nesta segunda-feira, 6, furou o piso de R$ 5,15 e fechou no menor nível desde meados de junho. Sem indicadores domésticos relevantes, operadores atribuíram o bom desempenho da moeda brasileira a ajustes nos prêmios de risco após a recente onda de depreciação, em um ambiente marcado por alívio contínuo no mercado de renda fixa local e pela valorização de commodities agrícolas, em especial a soja.

Em parte da manhã e no início da tarde, o dólar já recuava por aqui, na contramão do comportamento predominante no exterior, embora dois pares do real, o peso mexicano e o rand sul-africano, também avançassem. À medida que a moeda americana perdia fôlego lá fora nas últimas horas da sessão, a divisa brasileira ampliava seus ganhos.

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Com mínima de R$ 5,1279, por volta das 15h55, o dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,71%, a R$ 5,1320 – menor valor de fechamento desde 17 de junho (R$ 5,1077). A moeda americana acumula desvalorização de 0,60% frente ao real nos quatro primeiros pregões de julho, após avanço de 2,38% no mês passado. No ano, as perdas são de 6,50%. O real apresenta, em 2026, o segundo melhor desempenho entre as divisas mais líquidas, atrás do peso colombiano.

“O real ensaia uma recuperação, embalado pela valorização de commodities como soja e minério de ferro e por um recorde nas exportações de carne, fatores que aumentam a entrada de dólares pela via comercial”, afirma o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo.

Referência do comportamento do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY, que tocou máxima de 101,145 pontos pela manhã, operava na casa dos 100,870 pontos no fim da tarde, ao redor da estabilidade. O Dollar Index recua cerca de 0,30% neste início de julho, o que reduz o avanço em 2026 para pouco mais de 2,60%.

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Investidores aguardam a divulgação, nesta quarta-feira, 8, da ata do encontro de política monetária do Federal Reserve realizado em junho. Na ocasião, o discurso duro do novo presidente do BC americano, Kevin Warsh, e a previsão da maioria dos dirigentes de alta dos juros nos EUA ainda neste ano desencadearam um fortalecimento global do dólar.

Para o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, a ata do Fed, assim como o comunicado da reunião, provavelmente será mais enxuta. “A mensagem principal deve ser agressiva, com o Fed comprometido em restaurar a estabilidade de preços, após cinco anos consecutivos de inflação acima da meta”, afirma Turner, em nota, acrescentando que “alguns (ou muitos) dirigentes podem ver o próximo movimento do Fed como um aumento da taxa de juros”.

O economista-chefe da BCG Liquidez, Felipe Tavares, observa que o ambiente externo “vem ganhando cada vez mais relevância” nas perspectivas para o comportamento do real, dada a perspectiva de um dólar globalmente mais forte. Em seu modelo de longo prazo, Tavares projeta taxa de câmbio em R$ 5,20 no fim de 2026, “podendo chegar a R$ 5,02 em um cenário mais positivo ou a R$ 5,38 em um cenário mais adverso”.

“No cenário mais benigno, não conseguimos mais ver o dólar abaixo de R$ 5,20 como há algumas semanas”, afirma Tavares, ressaltando que a taxa de câmbio apresenta um prêmio em relação ao que estima como o seu valor justo.

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Bolsa

O Ibovespa destoou da performance positiva dos ativos domésticos e dos índices de Nova York nesta segunda-feira, 6. Há novos sinais de saída de recursos estrangeiros da renda variável brasileira, com rotação de carteiras globais favorecendo empresas de tecnologia e Inteligência Artificial. No cenário doméstico, a proximidade com as eleições, que renova receios com a qualidade da política fiscal a partir de 2027, e o início da audiência do Escritório do Representante dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) também limitaram o apetite por ações

Após alcançar o maior valor em um mês na sexta-feira, o Ibovespa fechou com queda de 0,93%, aos 172.447,58 pontos, e giro financeiro de R$ 16,94 bilhões. Entre a máxima de abertura (174 057,47 pontos; -0,01%) e a mínima (171.621,70 pontos; -1,41%) pela manhã, perdeu cerca de 2.400 pontos. Com isso, a referência da B3 se descolou de Wall Street, que teve altas de 0,29% (Dow Jones) a 1,12% (Nasdaq).

Para o analista Nícolas Mérola, da EQI Research, o mercado de ações brasileiro passa por um momento de “compasso de espera”, em que investidores estrangeiros pretendem precificar bem a IA antes de voltar a olhar para outros mercados.

Como os investidores estrangeiros são responsáveis por mais da metade do volume financeiro da Bolsa, um menor apetite deles é relevante para a performance do índice. Apesar de quinta-feira, 2, ter trazido entrada de R$ 567,6 milhões para a Bolsa, o acumulado do mês de julho ainda é de retirada de R$ 22,223 milhões em recursos externos.

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Mérola, da EQI, crava ainda que o processo eleitoral brasileiro se aproxima e causa maior temor e volatilidade por parte dos investidores, tanto locais quanto internacionais.

O head de Alocação da InvestSmart XP, Daniel Nogueira, concorda que ao adentrar no segundo semestre, a pauta eleitoral vai ficando cada vez mais relevante, e nota que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ganhado margem em relação ao senador e pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. “Apesar de Lula não ser o candidato favorito do mercado, não é um candidato novo O fator surpresa não existe tanto, mas é uma quebra de expectativa em relação a ter uma âncora fiscal e comprometimento com reformas” firme, avalia.

Junto das eleições, há ainda incerteza quanto à relação do Brasil com a maior economia do mundo. Nesta segunda-feira, começou a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) a respeito de práticas comerciais do Brasil, que foi monitorada com atenção por operadores de renda variável.

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Em termos setoriais, a eliminação da Seleção brasileira na Copa do Mundo no domingo também fez preço. Quarta ação mais negociada nesta segunda, a Ambev caiu 2,52% com o entendimento do mercado de que haverá menos consumo de bebidas com o Brasil fora da competição, afirma Nogueira, da InvestSmart XP.

Outra atenção do mercado é a política monetária. Ainda que o boletim Focus tenha trazido alívio na inflação de 2026, com a mediana das projeções saindo de 5,33% para 5,30%, não alterou muito a leitura de juros altos por mais tempo no Brasil. O cenário é negativo para a renda variável, pois dizima o lucro futuro das empresas.

Enquanto na sexta-feira, quando não houve pregão em Wall Street, o dia foi marcado por frenesi com a produção de maio abaixo do esperado e o entendimento de que ao menos um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto seria provável, nesta segunda-feira houve uma correção nos preços do mercado acionário brasileiro. Tanto que as maiores quedas do Ibovespa vieram de ações cíclicas, como Totvs, Lojas Renner e Yduqs caindo mais de 4%, ignorando o fechamento da curva de juros.

O índice também foi pressionado pela queda das blue chips, com bancos cedendo de 0,42% (Itaú PN) a 1,05% (Banco do Brasil ON), além de Petrobras e Vale cedendo mais de 1%.

Agora, as atenções na semana ainda se voltam sobretudo para a ata do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, 8, e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na sexta, que podem influenciar as apostas para os juros básicos nos Estados Unidos e no Brasil.

Juros

Em um pregão morno, os juros futuros negociados na B3 tiveram fechamento das taxas médias e longas nesta segunda-feira, 6, ao passo que a ponta curta operou em relativa estabilidade e fechou em viés de baixa.

Segundo agentes, em uma sessão com liquidez reduzida e agenda econômica fraca tanto aqui quanto lá fora, o movimento contou com o suporte da discreta melhora das expectativas inflacionárias para 2026, que dão conforto para o Banco Central calibrar a Selic, ao menos no curto prazo. O pano de fundo de bom comportamento da curva de Treasuries e a queda firme do dólar, que caiu 0,71%, também ajudaram.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,998% no ajuste anterior a 13,985%. O DI para janeiro de 2029 diminuiu para mínima intradia de 14,03%, de 14,26% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,406% no ajuste antecedente a 14,29%.

O boletim Focus trouxe tímida revisão para baixo da mediana para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, de 5,33% a 5,30%. A previsão para 2027 oscilou de 4,17% a 4,18%, e a de 2028 permaneceu em 3,70%. Já as estimativas para a taxa Selic terminal ficaram inalteradas, em 14% para 2026, 12% para 2027, 10,5% para 2028 e 10% para 2029.

Gestor de portfólio da Heritage Capital, Eduardo Cohn aponta que o Focus vinha em deterioração semana após semana, tendência que foi estancada nesta segunda. “Nesta semana o movimento deu uma estabilizada, e até recuo na margem, e a queda expressiva do dólar acabou ajudando a curva de juros também. Não vejo nada além desses fatores”, disse Cohn.

“A combinação de indicadores mais fracos de atividade, inflação mais comportada e queda do petróleo mantém elevada a probabilidade de um novo corte da Selic em agosto. Apesar disso, parte do mercado segue cautelosa diante das expectativas de inflação ainda acima da meta e dos riscos fiscais, o que sustenta divergências quanto à intensidade do ciclo de flexibilização monetária”, comentou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Segundo Cohn, o volume de negócios desta segunda foi afetado pela “ressaca” após o Feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos, que seria no último sábado, mas foi antecipado para a sexta-feira anterior neste ano. “Hoje foi um dia mais morto”, avaliou.

Principal fator que puxou a curva de juros para baixo na última sexta, as declarações do secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, sobre o mercado de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) não surtiram efeito sobre as taxas futuras na sessão atual, na visão do profissional.

Em entrevista à Folha de S.Paulo na sexta passada, Ceron afirmou que o Tesouro está pronto para atuar no mercado se necessário com novos leilões de recompra de NTN-B, a exemplo do ocorrido em março. Profissionais de renda fixa questionam se esta seria a abordagem mais correta no momento, mas o fato é que as falas do secretário-executivo do Ministério da Fazenda geraram perspectiva de nova intervenção do órgão.

Para o leilão desta terça-feira, agentes esperam que a autoridade fiscal oferte novamente lotes mínimos de títulos atrelados à inflação, estratégia chamada de “cancelamento branco”, para não pressionar o mercado. “Acho que o Tesouro ainda não está no momento de intervir. Primeiro ele tenta acalmar para não ter que intervir”, aponta o gestor da Heritage Capital, para quem novas intervenções podem ocorrer quando o quadro eleitoral se acirrar mais.

Nos Estados Unidos, após o feriado de sexta, a curva de rendimentos dos Treasuries voltou a ganhar inclinação nesta segunda, com recuo nas T-Note de 2 anos e 10 anos, refletindo a reprecificação das expectativas para a política monetária americana após o payroll aquém do previsto, e ligeira alta no T-Bond de 30 anos.

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