O setor de serviços no Brasil recuou 0,4% no mês de maio, interrompendo a trajetória de alta registrada no período anterior. A Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada nesta quarta-feira (15/7) pelo IBGE, revela que o resultado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro. Apesar da oscilação mensal negativa, o segmento acumula uma expansão de 1,9% de janeiro a maio em comparação com o mesmo intervalo do ano passado.
A queda no segmento de transportes, serviços auxiliares e correios foi o principal fator que puxou o índice geral para baixo. O grupo encolheu 1% na passagem de abril para maio e exerce um impacto decisivo no indicador por representar mais de um terço de todo o setor de serviços do país. Segundo os analistas do IBGE, o desempenho negativo reflete a menor receita obtida por empresas de transporte aéreo de passageiros, rodoviário de cargas e de logística.
Por outro lado, os serviços prestados às famílias cresceram 0,2% e alcançaram o maior patamar de atividade registrado desde dezembro de 2014. Os economistas atribuem esse fôlego positivo a variáveis macroeconômicas favoráveis no cenário doméstico, como o desemprego em níveis baixos e a massa de rendimentos elevada. Com o fechamento dos dados de maio, o setor de serviços geral opera 19,6% acima do nível pré-pandemia de covid-19.
Retração nas atividades turísticas e o acumulado do setor
O Índice de Atividades Turísticas (Iatur) também acompanhou a tendência de queda e registrou um recuo de 0,4% em maio na comparação mensal. O segmento, que monitora o desempenho de hotéis, agências de viagens e buffets, sofreu o impacto direto da menor movimentação nos aeroportos nacionais. No entanto, o turismo brasileiro sustenta uma expansão acumulada de 1,7% no indicador dos últimos 12 meses.
No cenário mais amplo de longo prazo, o volume de serviços acumula uma alta de 2,6% no período de 12 meses finalizado em maio. O resultado, contudo, sinaliza uma leve perda de ritmo no crescimento econômico do setor, uma vez que a taxa acumulada até abril estava em 2,9%. Atualmente, o patamar de serviços no país situa-se apenas 0,5% abaixo do maior nível histórico da série, registrado em outubro do ano passado.
A pesquisa do IBGE também mapeia o desempenho de atividades turísticas regionais em 17 unidades da federação, incluindo o estado de Minas Gerais. O acompanhamento contínuo desses índices ajuda governos e empresários locais a calibrarem suas estratégias de investimento para o segundo semestre. As oscilações recentes demonstram a necessidade de fortalecimento das cadeias logísticas e de infraestrutura para garantir a retomada do crescimento.
