A indústria mineira acompanha com expectativa a decisão do governo dos Estados Unidos sobre a possível adoção de novas tarifas para produtos brasileiros. Em entrevista à 98 News, a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Verônica Winter, afirmou que, embora o cenário ainda seja de incerteza, o setor acredita que uma análise técnica dos argumentos apresentados por empresas e entidades pode reduzir os impactos das medidas.
Segundo Verônica, a preocupação da indústria vai além do percentual das tarifas. O principal receio é a perda de competitividade dos produtos brasileiros em relação a concorrentes internacionais.
“Os países que estiverem sujeitos apenas às tarifas de 10% ou 12,5% terão uma competitividade maior em relação aos produtos brasileiros, caso o Brasil seja tributado com os 25%”, explicou.
A especialista lembrou que as medidas em discussão fazem parte da Seção 301 da legislação comercial americana. Atualmente, há duas frentes em análise: uma voltada exclusivamente ao Brasil, com tarifa de 25%, e outra direcionada a mais de 60 economias, relacionada à investigação sobre trabalho forçado, com alíquota prevista de 12,5%, reduzida para 10% em alguns casos.
Outro ponto que ainda preocupa o setor é a falta de clareza sobre a aplicação das possíveis tarifas. Segundo Verônica, ainda não há definição sobre quando as cobranças começariam a valer, quais contratos seriam afetados ou se haverá um período de transição para que empresas possam cumprir acordos já firmados.
“As empresas defendem que, caso a tarifa seja implementada, exista pelo menos um prazo para honrar os contratos ou renegociá-los com os clientes norte-americanos”, afirmou.
Esperança está na importância dos produtos brasileiros
Apesar das incertezas, a FIEMG acredita que ainda há espaço para uma decisão baseada em critérios técnicos. A principal aposta é que o governo americano reconheça que diversos produtos brasileiros são estratégicos para a própria economia dos Estados Unidos.
“A nossa esperança é de que o governo americano analise de forma técnica os argumentos e observe que muitos dos produtos que ainda aparecem como tarifados são essenciais para a economia norte-americana. Eles fazem parte da cadeia produtiva e são complementares à economia dos Estados Unidos”, disse Verônica.
Ela destacou ainda que empresas americanas também participaram das audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para defender a manutenção da relação comercial com o Brasil e se posicionar contra o aumento das tarifas.
A coordenadora afirmou que, até o momento, a FIEMG não identificou um movimento claro de antecipação de exportações por parte das empresas mineiras. Segundo ela, houve variações na balança comercial entre junho e julho, mas ainda não é possível afirmar que elas estejam relacionadas ao risco de novas tarifas, já que podem decorrer de contratos previamente estabelecidos ou de fatores sazonais.
Enquanto aguarda a decisão do governo americano, prevista para os próximos dias, a indústria mineira segue defendendo que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos seja preservada, considerando os benefícios para empresas dos dois países e a integração das cadeias produtivas.
