A eliminação precoce da Seleção Brasileira para a Noruega na Copa do Mundo não acabou apenas com o sonho do hexacampeonato. O resultado também teve impacto direto no comércio de Belo Horizonte, que havia reforçado estoques e investido em estrutura para atender ao aumento esperado na movimentação durante o torneio.
Bares, restaurantes e lojas que apostavam em uma campanha mais longa da Seleção agora tentam reduzir os prejuízos com promoções e liquidações. Camisas oficiais e réplicas, bandeiras, cornetas, chapéus, perucas, acessórios e até o álbum oficial de figurinhas passaram a ser vendidos com descontos para evitar que os produtos permaneçam encalhados.
Na Savassi, um dos principais pontos de encontro dos torcedores durante os jogos do Brasil, comerciantes afirmam que o movimento caiu drasticamente após a eliminação da equipe.
O gerente do restaurante Gujoreba, Ivan Carlos, conta que toda a operação do estabelecimento foi planejada para acompanhar uma possível classificação da Seleção às fases finais da competição.
“A eliminação do Brasil foi muito ruim, porque nós tivemos um prejuízo enorme. O material ficou todo estocado. Tanto é que a fábrica de chope ligou pra mim perguntando se ia mandar mais chope. Quer dizer, o chope que a gente tinha pedido pro último jogo está até hoje. Então foi muito ruim essa eliminação pra gente, muito prejuízo. E aqui na Praça da Savassi, onde a galera mais concentra, realmente tinha muita gente. Quando o Brasil ganhava o jogo, o pessoal continuava comemorando e isso era interessante pra gente. Mas, quando foi eliminado, foi aquela decepção. O povo foi embora e quem perdeu fomos todos nós.”
Além do estoque de bebidas, muitos bares também investiram em telões, reforço na segurança e equipes extras para atender a demanda esperada durante a Copa.
No Baianas do Acarajé, o planejamento precisou ser revisto poucos dias depois da derrota brasileira.
Segundo o diretor do estabelecimento, Odair Melo, agora o foco é criar estratégias para girar os produtos que ficaram parados.
“Não só produtos. A gente começou a Copa do Mundo com televisão, telão, gradil, segurança, com uma logística muito grande. Acabou que o Brasil saiu num momento que a gente não esperava e ficamos com o estoque carregado. Agora é trabalhar para vender os produtos que estão aí e não deixar muito tempo guardado. Vamos fazer ações com drinks e bebidas, principalmente as usadas nos coquetéis. Teremos rodada dupla e outras promoções para conseguir vender mais.”
O reflexo também foi sentido nas lojas de roupas e acessórios temáticos da Seleção.
A expectativa era de vender praticamente todo o estoque durante o torneio, mas a eliminação precoce esfriou o interesse dos consumidores.
A vendedora Leia de Jesus afirma que o movimento caiu logo após a derrota brasileira.
“Foi difícil mesmo e uma decepção muito grande o nosso Brasil ter perdido. Eu acredito que, se o Brasil tivesse ganhado, teria acabado todo o nosso estoque. O movimento caiu bastante porque o brasileiro ficou decepcionado, assim como eu também fiquei. Eu queria muito que o Brasil ganhasse para terminar de vender esse restante que ficou aqui na loja.”
A reportagem da Rede 98 percorreu diferentes pontos de venda de Belo Horizonte e encontrou descontos em diversos produtos ligados à Copa do Mundo. O álbum oficial, que durante o torneio chegou a ser vendido por cerca de R$ 80, agora pode ser encontrado por R$ 29 em alguns estabelecimentos. Os pacotes de figurinhas também entraram em liquidação.
Para muitos comerciantes, a estratégia agora é tentar recuperar parte do investimento feito antes do Mundial e evitar que os produtos permaneçam parados nas prateleiras.
