O Governo de Minas apresentou nessa quinta-feira (16/7) um inventário detalhando o destino dos bens que integravam o acervo do Palácio das Mangabeiras, após questionamentos sobre o suposto desaparecimento de móveis, obras de arte e outros objetos da antiga residência oficial dos governadores. Segundo o Executivo, nenhum item inventariado está desaparecido e todos possuem registro de localização ou destinação.
As informações foram apresentadas pela presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Luísa Barreto, durante audiência pública da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O debate foi solicitado pelo deputado Leleco Pimentel (PT), que havia apontado a ausência de diversos objetos durante uma visita ao palácio realizada no início de julho.
De acordo com a Codemge, o acervo é composto por mais de 3.900 itens distribuídos entre diferentes órgãos estaduais. A relação apresentada informa que 187 peças permanecem sob guarda da própria companhia, enquanto 90 obras de arte estão catalogadas, sendo 19 delas no Palácio da Liberdade.
Além disso, cerca de 1.200 livros foram destinados à Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, aproximadamente 2.400 peças de prataria e utensílios estão no Palácio Tiradentes, e outros bens, como poltronas, projetor e roupas de cama, foram encaminhados para a Fundação Clóvis Salgado e outras unidades do Estado.
Luísa Barreto afirmou que o levantamento é completo e que as fotografias apresentadas durante a audiência foram produzidas nas últimas duas semanas. Ela explicou ainda que parte das obras de arte está sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e que algumas peças passam por restauração na Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop).
A presidente da Codemge também esclareceu que bens de consumo, como talheres, não fazem parte do inventário patrimonial do Estado. Segundo ela, alguns objetos considerados inservíveis foram leiloados e o Palácio das Mangabeiras ainda não é tombado como patrimônio histórico, embora o processo de tombamento esteja em análise desde 2018.
Gestão e uso do Palácio
Durante a audiência, Luísa Barreto apresentou um histórico da administração do imóvel. Desde 2022, a gestão é feita por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), formada pela CDL-BH, Malab Produções e Grifa, com participação da Codemge.
Ela defendeu o modelo de gestão, afirmando que a parceria ampliou o acesso da população ao espaço e permitiu investimentos em conservação. Segundo a gestora, o Palácio recebeu mais de 55 mil visitantes em 2025, recorde de público. Também foram destacadas obras de recuperação dos jardins projetados por Burle Marx, revitalização de pisos, criação de parque infantil, pista de bicicletas e exposições permanentes sobre a história do local.
Oposição cobra investigação
Os esclarecimentos, no entanto, não encerraram a polêmica. Parlamentares da oposição afirmaram que a documentação será encaminhada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) para análise e mantiveram os pedidos de investigação sobre a destinação dos bens e possíveis danos ao patrimônio público.
Os deputados também criticaram o uso do Palácio para eventos privados, como festas e casamentos, alegando que as intervenções podem comprometer o valor histórico do imóvel. Ao final da reunião, a Comissão de Cultura aprovou um requerimento para realização de uma nova audiência pública com especialistas em patrimônio, museologia e história para discutir os impactos da retirada e preservação do acervo cultural do Palácio das Mangabeiras.
